O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e a Corregedoria da Polícia Civil deflagraram, nesta sexta-feira (28), a Operação Merx, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo policiais civis da Grande São Paulo. Segundo as autoridades, integrantes do grupo são suspeitos de exigir pagamentos para evitar a apreensão integral ou permitir a restituição de cargas de produtos eletrônicos de origem irregular.
A Justiça decretou a prisão preventiva de sete investigados quatro policiais civis, um advogado e outras duas pessoas apontadas como responsáveis pelo pagamento de vantagens indevidas. Até a última atualização divulgada pela CNN Brasil, seis dos sete alvos haviam sido presos, enquanto um dos policiais ainda não tinha sido localizado. Mandados de busca e apreensão também são cumpridos em São Paulo, Paraná e Goiás.
De acordo com as investigações do Gaeco, os agentes públicos teriam exigido valores equivalentes a aproximadamente 70% do valor das mercadorias para que parte ou a totalidade dos produtos não fosse apreendida ou fosse posteriormente restituída. Os pagamentos investigados somariam cerca de R$ 2,35 milhões. As suspeitas são apuradas desde episódios registrados a partir de 2024.
A apuração também investiga a possível utilização de estruturas e ferramentas policiais para auxiliar o esquema. Segundo informações divulgadas sobre a operação, unidades policiais teriam sido utilizadas para armazenar mercadorias e registrar apreensões parciais. Um investigador foi afastado do exercício da função pública e ficou proibido de manter contato com investigados e testemunhas enquanto as apurações prosseguem.
A Justiça ainda determinou medidas de quebra de sigilo relacionadas à investigação e o bloqueio e sequestro de bens de até R$ 4 milhões. Após o cumprimento dos mandados, a Corregedoria da Polícia Civil realizou fiscalizações extraordinárias nas unidades envolvidas na investigação.
As apurações envolvem suspeitas relacionadas a crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, além da possível atuação organizada dos investigados. As responsabilidades individuais ainda deverão ser definidas no decorrer da investigação e de eventual processo judicial. Prisões preventivas e outras medidas cautelares não representam condenação, e os investigados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.




