Diretamente de Berlim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou total confiança em seu capital político ao comentar o cenário para as eleições de 2026. Em visita oficial à Alemanha nesta segunda-feira (20), o mandatário minimizou os dados recentes de pesquisas que apontam um crescimento da oposição e reforçou sua disposição para disputar um quarto mandato, descartando qualquer clima de crise no Palácio do Planalto.
“Sem turbulência” nas urnas
Ao ser questionado sobre o acirramento eleitoral e o desempenho de seus adversários, Lula recorreu à sua longevidade política para acalmar os aliados. Para o petista, o atual momento é de normalidade democrática. “Não tem turbulência nenhuma. Eu encaro eleição como a coisa mais democrática e tranquila possível”, afirmou, lembrando ser o político que mais disputou pleitos na história do país.
A fala de Lula surge como uma contraofensiva aos dados da última Pesquisa Quaest. O levantamento mostrou, pela primeira vez, o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente em um eventual segundo turno, com 42% das intenções de voto, contra 40% de Lula. O cenário de empate técnico preocupa setores do governo devido à trajetória de queda do presidente, que chegou a ostentar dez pontos de vantagem no final do ano passado.
Embate com Donald Trump e soberania
No campo internacional, Lula elevou o tom contra a política externa dos Estados Unidos. O presidente criticou abertamente as sanções econômicas e a pressão diplomática exercida sobre a Venezuela e Cuba, direcionando as críticas à postura de Donald Trump.
Lula defendeu o princípio da autodeterminação dos povos e questionou a “ingerência” das grandes potências em nações soberanas. “Eu quero que os Estados Unidos sejam do jeito que querem ser, que a Alemanha se organize como queira. Ninguém pode se meter na nossa organização”, pontuou o presidente, cobrando respeito à Carta da ONU e aos direitos humanos no trato entre as nações.
O posicionamento em Berlim reforça a estratégia de Lula de manter sua base engajada através da polarização internacional, enquanto tenta estancar a perda de popularidade refletida nas pesquisas domésticas.



