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Política

O recado que o Itamaraty enviou à Casa Rosada antes de Milei atacar Lula: “Linha vermelha”

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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O recado que o Itamaraty enviou à Casa Rosada antes de Milei atacar Lula: “Linha vermelha”
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O Itamaraty avisou à Casa Rosada, antes do discurso de Javier Milei na convenção nacional do PL, que ataques pessoais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a outras autoridades brasileiras cruzariam uma “linha vermelha” diplomática. O alerta buscava evitar uma crise entre Brasil e Argentina após a fala do presidente argentino em território brasileiro.

A diplomacia brasileira indicou que ofensas a Lula ou a atores políticos, sobretudo no Brasil, não seriam toleradas. O recado chegou a Milei por interlocutores e não estabelecia uma lista formal de condutas permitidas, mas delimitava os ataques pessoais como o principal limite.

Críticas à esquerda, ao socialismo e temas ligados à liberdade de expressão e ao livre mercado estavam entre as manifestações que o governo brasileiro considerava possíveis. Gestos de apoio à direita brasileira também não apareciam como motivo automático para uma reação diplomática.

O Itamaraty já havia enviado sinal semelhante antes da CPAC realizada em Florianópolis, em 2024. Na ocasião, Milei criticou o socialismo sem citar Lula e se reuniu com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que ainda não havia recebido condenação do Supremo Tribunal Federal.

“Ladrón”, “presidiario” y “basura”. Todo eso dijo Milei sobre Lula en un acto partidario por Flavio Bolsonaro.
Insulta como militante, pero compromete al país como presidente.
El costo de sus provocaciones no lo paga Milei, lo paga la Argentina. pic.twitter.com/E4Hux9vwJT

— César Biondini (@BiondiniCesar) July 25, 2026

Ofensas a Lula e Moraes motivaram nova reação diplomática

Na convenção do PL no sábado (25), quando o partido confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Milei chamou Lula de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de “lixo careca”. As declarações ultrapassaram o limite que o governo brasileiro havia comunicado à Casa Rosada.

O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, voltou a Brasília para consultas, desta vez sem passagem de retorno para a capital argentina. A medida elevou o grau da resposta brasileira diante dos ataques do presidente argentino.

Bitelli deve discutir sua situação nesta quarta-feira (29) com o chanceler Mauro Vieira. A conversa também deve tratar de possíveis reações caso Milei repita ofensivas contra Lula ou outras autoridades brasileiras.

Lula não pretende responder pessoalmente a Milei. Mesmo com o distanciamento entre os presidentes, o Itamaraty tenta preservar os canais econômicos e institucionais com a Argentina, incluindo contatos com empresários, indústria, universidades e governos provinciais; os ministros José Múcio Monteiro, da Defesa, e André de Paula, da Agricultura, mantiveram visitas oficiais recentes a Buenos Aires.

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