Intérprete de Bolsonaro é acusado de estupro de vulneráveis; vítimas relatam abusos por anos na comunidade surda. Entenda o caso.

O professor de Libras Sandro dos Santos Pereira. Foto: Reprodução/TV Brasil

O professor de Libras Sandro dos Santos Pereira, conhecido por ter interpretado o hino nacional na posse do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2019, foi denunciado por estupro de vulnerável. As acusações envolvem uma série de abusos contra adolescentes ao longo de vários anos dentro da comunidade surda.

De acordo com informações divulgadas pela BandNews FM, diversas vítimas compareceram à Delegacia de Proteção à Pessoa com Deficiência, em São Paulo, para prestar depoimento nesta quarta-feira (22). O caso está sob investigação e corre sob sigilo.

Relatos indicam abusos recorrentes

As denúncias apontam que os episódios teriam ocorrido por cerca de três anos. Um dos primeiros casos investigados envolve um aluno de 12 anos, que teria sido abordado em 2023 dentro da sala de aula do CEU São Rafael. Segundo a família, o adolescente só conseguiu compreender a gravidade do ocorrido recentemente, após participar de uma palestra sobre prevenção ao abuso sexual em sua nova escola.

A mãe do estudante, Cibelle Bucci, relatou que o filho passou a reconhecer a situação após conversar com um colega, que também teria sido vítima de condutas semelhantes.

De acordo com os depoimentos, o professor se aproveitava de momentos em que ficava sozinho com os alunos para praticar os abusos, tanto dentro da escola quanto em sua residência, localizada na zona leste da capital paulista. Entre as situações descritas estão toques nas partes íntimas, pedidos de beijos e até propostas de atos sexuais.

Testemunhos reforçam padrão de comportamento

Após a repercussão do caso, outras pessoas decidiram relatar experiências semelhantes. A professora de Libras Charlotte Elvira Carvalho, mulher trans e surda, contou um episódio ocorrido em 2016, quando aceitou uma carona oferecida por Sandro.

Segundo ela, durante o trajeto, o professor passou a tocar sua perna de forma insistente, causando desconforto e medo. Charlotte afirmou que, na época, não soube como reagir diante da situação e ficou paralisada.

Ela também revelou que o contato com o professor começou ainda na adolescência, entre 12 e 14 anos, por meio das redes sociais. Na época, ele enviava mensagens frequentes, elogios e convites para que ela fosse sozinha até sua casa. Apenas anos depois, já adulta, ela afirmou ter compreendido que havia sido vítima de abuso.

Outro relato, de um homem que preferiu não se identificar, aponta que o comportamento do professor já ocorria desde 2008. Na ocasião, ele atuava como intérprete durante aulas de Direito e, segundo a vítima, fazia abordagens com teor sexual, incluindo toques não consentidos e convites explícitos.

Investigação em andamento

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o caso está sendo apurado pela Delegacia de Proteção à Pessoa com Deficiência, com detalhes preservados para não comprometer as investigações.

Já a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo declarou que abriu uma apuração interna e confirmou que o professor não integra mais a rede municipal de ensino.

Sandro dos Santos Pereira foi procurado, mas não se manifestou até o momento.

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