O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta terça-feira (4) à . Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a medida como “hostil”, repudiou a decisão e afirmou que as justificativas apresentadas pelo Departamento de Estado norte-americano são “falsas”.
A reação ocorre depois de o governo americano afirmar que a revogação do visto seria uma resposta à demora do Brasil em conceder o agrément — autorização diplomática necessária para a nomeação de embaixadores — ao indicado dos Estados Unidos para chefiar a missão em Brasília, Daniel Perez.
Segundo o Planalto, o procedimento segue rigorosamente as normas internacionais e ainda está em análise pelas autoridades brasileiras.
Governo cita Convenção de Viena
Na nota, o governo brasileiro argumenta que o processo de concessão do agrément é confidencial e que o nome do diplomata indicado só deveria ser divulgado após a anuência do país anfitrião, conforme prevê a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.
O Planalto também ressalta que não existe prazo definido pela convenção para que um país conceda o agrément a outro Estado, rebatendo a alegação de demora apresentada por Washington.
Para o governo brasileiro, os Estados Unidos tornaram público o nome do indicado antes mesmo da formalização completa do pedido, contrariando a prática diplomática tradicional.
Brasil vê escalada de tensão
A nota oficial afirma que o episódio não representa um fato isolado, mas faz parte de uma sequência de medidas consideradas hostis por Brasília.
O governo sustenta que há motivação ideológica por trás das decisões americanas e afirma enxergar uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro de 2026.
O documento também lembra que continuam em vigor sanções individuais impostas por Washington a autoridades brasileiras, incluindo restrições de visto baseadas em alegações de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o Planalto, durante a visita de Lula aos Estados Unidos, em maio, o presidente brasileiro chegou a solicitar diretamente ao presidente Donald Trump a revisão dessas medidas.
Troca de restrições amplia crise diplomática
A resposta brasileira também menciona outro episódio recente envolvendo a relação bilateral. Há cerca de dez dias, o Itamaraty negou vistos de entrada a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
De acordo com o governo brasileiro, os diplomatas pretendiam realizar atividades que colocariam em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, o que foi classificado como uma tentativa inaceitável de interferência política.
Apesar do endurecimento do discurso, o Palácio do Planalto encerra a nota reafirmando a tradição diplomática brasileira de privilegiar o diálogo, a negociação e a solução pacífica de controvérsias nas relações internacionais.




