O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou nesta quinta-feira (13) sua candidatura à Presidência da República e declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 8.186.555,83. O valor representa um aumento nominal de aproximadamente R$ 6,44 milhões em relação aos bens informados em 2018, quando concorreu ao Senado pelo Rio de Janeiro. Naquele pleito, a declaração apresentada foi de R$ 1.741.758,15.
Considerando os valores nominais declarados nos dois registros eleitorais, sem correção pela inflação, o patrimônio informado por Flávio aumentou aproximadamente 370% entre 2018 e 2026. Isso significa que o total atual é cerca de 4,7 vezes o montante declarado oito anos atrás. A comparação deve ser interpretada com cautela: as declarações apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral retratam os bens informados pelo próprio candidato em cada eleição e não permitem, isoladamente, concluir a origem de cada variação patrimonial ou apontar qualquer irregularidade.
Uma comparação considerando a inflação apresenta resultado diferente. Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo calculou que os bens declarados por Flávio em 2018 equivaleriam atualmente a cerca de R$ 2,63 milhões, levando a um crescimento real aproximado de 211%. Segundo a publicação, parte relevante da declaração atual corresponde a uma residência em Brasília avaliada em R$ 6,2 milhões. A campanha afirmou que o imóvel foi quitado com rendimentos provenientes do mandato de senador, da advocacia e da renda da esposa, que trabalha como dentista.
Patrimônio declarado supera o de Lula e fica abaixo do de Zema
O patrimônio declarado por Flávio também é superior ao informado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu registro para a eleição de 2026. Lula declarou aproximadamente R$ 4,77 milhões em bens, dos quais cerca de R$ 3,3 milhões estão vinculados a planos de previdência privada. O total informado por Flávio é, nominalmente, cerca de 72% superior ao declarado pelo presidente.
Entre os candidatos cujos registros já haviam sido divulgados, entretanto, Romeu Zema (Novo) apresentou patrimônio significativamente maior. O candidato informou R$ 178,71 milhões em bens à Justiça Eleitoral. O montante supera em mais de 20 vezes os R$ 8,18 milhões declarados por Flávio.
As comparações patrimoniais não equivalem a uma comparação de renda. Os registros eleitorais podem incluir imóveis, veículos, participações societárias, investimentos, aplicações financeiras, saldos bancários e outros ativos declarados, e seus valores podem obedecer a critérios distintos de avaliação.
Registro ocorreu após impasse envolvendo filiação partidária
A candidatura de Flávio Bolsonaro foi registrada depois de um impasse ocorrido nesta quinta-feira envolvendo sua filiação partidária. Ao tentar formalizar o pedido, a campanha identificou que o senador aparecia no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão, apesar de disputar a Presidência pelo PL. A situação inicialmente impediu a conclusão do registro.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, concedeu tutela de urgência que permitiu o restabelecimento da filiação de Flávio ao PL. Após a regularização da certidão partidária, a candidatura pôde ser apresentada à Justiça Eleitoral.
O TSE informou que não identificou invasão hacker em seu sistema. Segundo a corte, houve uso indevido da ferramenta por alguém que dispunha de credenciais vinculadas à legenda para efetuar filiações. O episódio deverá ser investigado, e o tribunal também determinou providências para apurar eventuais responsabilidades. O partido Missão afirmou, por sua vez, que também teria sido vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta.
