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Política

Filho 04 de Bolsonaro usa nome do pai na urna em SC e declara aumento de 345% no patrimônio em 2 anos

6 min de leitura Expresso Rio
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O vereador de Balneário Camboriú Jair Renan Valle Bolsonaro (PL), filho mais novo do ex-presidente Jair Bolsonaro, registrou sua candidatura a deputado federal por Santa Catarina repetindo uma estratégia que utilizou em sua estreia eleitoral: adotará o nome do pai na urna. Segundo reportagem do jornal O Globo, o vereador de 28 anos tenta chegar à Câmara dos Deputados apenas dois anos depois de conquistar seu primeiro mandato eletivo.

Conhecido como filho 04 de Bolsonaro, Jair Renan apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 187.366,28. O valor representa crescimento de mais de 345% em comparação com os R$ 42.069,79 declarados nas eleições municipais de 2024.

A declaração atual inclui um Volkswagen Jetta 2015 avaliado em R$ 65 mil e pouco mais de R$ 122 mil distribuídos em duas contas bancárias. Dois anos atrás, os bens declarados pelo então candidato a vereador estavam concentrados em duas contas.

No registro de candidatura deste ano, Jair Renan não informou orientação sexual. Em 2024, havia se declarado heterossexual.

A candidatura à Câmara faz parte da ampliação da presença da família Bolsonaro na política catarinense. O vereador afirmou que entrar na disputa federal foi uma “missão” dada pelo pai, atualmente em prisão domiciliar pela participação na trama golpista.

Dois anos depois da estreia, nova candidatura

Jair Renan anunciou oficialmente a pré-candidatura em julho, quando afirmou que a decisão tinha como objetivo “continuar lutando pelos brasileiros”.

No comunicado, disse que fará campanha ao lado do irmão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.

Segundo Jair Renan, os dois seguirão “firmes na defesa de Deus, Pátria, Família e Liberdade”.

“Essa caminhada é feita ao lado de cada patriota que acredita em um Brasil forte, livre e próspero”, completou.

A eleição para deputado federal representa um salto rápido na trajetória política do filho mais novo do ex-presidente.

Jair Renan entrou na política eleitoral em 2024, depois de se mudar para Santa Catarina. Até então, sua vida havia sido dividida principalmente entre Rio de Janeiro e Brasília.

Na disputa municipal, recebeu pouco mais de 3 mil votos e tornou-se o vereador mais votado de Balneário Camboriú.

O mandato, porém, também passou a ser alvo de críticas de adversários, que questionam sua produtividade parlamentar e apontam que parte de seus pronunciamentos no plenário trata de assuntos nacionais, distantes das questões cotidianas do município.

Família Bolsonaro amplia aposta em Santa Catarina

A estratégia eleitoral de Jair Renan ocorre paralelamente à movimentação do irmão Carlos Bolsonaro (PL).

Depois de sucessivos mandatos como vereador no Rio de Janeiro, Carlos deixou a Câmara Municipal carioca para disputar uma vaga no Senado por Santa Catarina.

A transferência provocou turbulências nas alianças políticas locais. Prefeitos do próprio PL e representantes de partidos aliados criticaram a articulação e seus efeitos sobre a montagem da chapa no estado.

Agora, Jair Renan também busca transformar Santa Catarina em sua base para uma eleição nacional, desta vez concorrendo a uma das vagas destinadas ao estado na Câmara dos Deputados.

A candidatura mantém ainda uma estratégia de comunicação utilizada em 2024: destacar eleitoralmente o sobrenome Bolsonaro e a ligação direta com o ex-presidente.

Mandato teve embates desde o primeiro dia

Apesar de ser considerado um vereador de poucas intervenções no plenário, Jair Renan acumulou episódios de confronto desde o início do mandato.

Logo em 1º de janeiro, utilizou o microfone para acusar o correligionário Kaká Fernandes de “traição”. A divergência envolvia a articulação do PL na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Balneário Camboriú, vencida por Marcos Kurtz (Podemos), ligado a outro grupo político.

Em outro episódio, Jair Renan foi o único vereador a votar contra uma proposta de Eduardo Zanatta (PT) que instituía o Dia da Democracia em homenagem ao ex-prefeito Higino Pio.

Primeiro prefeito da cidade, Pio foi sequestrado durante a ditadura militar e morreu em 1969. Apenas neste ano, sua família conseguiu alterar a certidão de óbito, que anteriormente registrava suicídio.

Ao justificar sua posição, Jair Renan questionou a Comissão Nacional da Verdade e afirmou que “para a maioria dos mais velhos, se você perguntar, foi a melhor época do Brasil”.

Em agosto de 2025, entrou em confronto com Marcos Kurtz, a quem criticou pela condução da Câmara e pelos gastos com obras no Legislativo municipal. Kurtz afirmou ter sido chamado pelo vereador de “Xandão de BC”, referência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

“O senhor não abre a boca, só fala fora de hora”, rebateu Kurtz.

“Já que gosta tanto de fazer comparações, eu acho que o senhor é parecido com o (deputado federal) Tiririca. Deveria botar lá: ‘pior do que tá não fica’. Porque o senhor não fala, está aqui fazendo não sei o quê”, concluiu.

Jair Renan também entrou em confronto com a prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan (PSD).

Em entrevista ao podcast “Cabeça de Político”, ela afirmou que o vereador deveria buscar “mais capacitação” e “ler mais” os projetos analisados pelo Legislativo.

A crítica ocorreu depois que Jair Renan foi o único parlamentar a votar contra uma proposta do Executivo destinada ao combate ao furto de fios.

“Respeito o posicionamento dele, apesar de ele quase não se posicionar, e, quando se posiciona, eu não consigo entender o que ele fala”, disse a prefeita.

Jair Renan reagiu pelas redes sociais e a chamou de “analfabeta funcional”.

Em setembro de 2025, o vereador utilizou a tribuna para “mandar um recado à esquerda” depois que a delegação brasileira deixou o local durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Usando um cachecol de Israel, apresentou um QR Code que direcionava para imagens “sem censura” de ações do grupo terrorista Hamas.

Mais recentemente, em julho, Jair Renan enfrentou um pedido para que fosse retirado da Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal.

O presidente do colegiado, Eduardo Zanatta, solicitou à Casa a destituição do vereador com base em dispositivos do regimento interno. O petista alegou que o filho do ex-presidente acumulava faltas injustificadas nas reuniões da comissão.

É com esse histórico de menos de dois anos de mandato municipal que Jair Renan tenta agora dar um salto para Brasília. Além do peso eleitoral do sobrenome, sua campanha deverá explorar a ligação com o pai e com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro para tentar conquistar uma das cadeiras catarinenses na Câmara.

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