O governo dos Estados Unidos determinou a saída de um delegado da Polícia Federal brasileira envolvido no episódio que resultou na prisão e posterior liberação do ex-deputado Alexandre Ramagem. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (20) pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental, elevando a tensão em torno da cooperação entre os dois países.
Sem citar inicialmente o nome do agente, autoridades norte-americanas afirmaram que o delegado teria tentado contornar procedimentos formais de extradição para agir em território americano. Em nota oficial, o governo dos EUA declarou que não permitirá que estrangeiros utilizem o sistema migratório para prolongar disputas políticas.
Quem é o delegado envolvido
O agente citado é Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação da Polícia Federal junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE). Ele ocupava a função desde agosto de 2023 e possui uma trajetória de quase 23 anos na corporação.
Ao longo da carreira, Marcelo Ivo já desempenhou funções estratégicas, incluindo a chefia regional de combate ao crime organizado em São Paulo e a superintendência da PF na Paraíba.
Reunião e tensão após soltura
Dias antes da decisão, representantes da Polícia Federal participaram de uma reunião em Miami com autoridades americanas para discutir a liberação de Ramagem. O encontro ocorreu após a soltura do ex-deputado, apenas dois dias depois de sua prisão, o que causou surpresa entre investigadores brasileiros.
Marcelo Ivo esteve presente na reunião, que buscava esclarecer os motivos da liberação rápida do político.
Entenda a prisão de Ramagem
Alexandre Ramagem foi detido no dia 15, na Flórida, após uma abordagem motivada por informações de que estaria em situação irregular no país e com a habilitação vencida. A abordagem aconteceu quando ele deixava sua residência de carro, nas proximidades de uma escola.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, agentes do ICE não sabiam inicialmente quem era o ex-deputado. O caso ganhou dimensão após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, solicitar esclarecimentos formais sobre a detenção.
Ainda segundo a apuração, o deputado Eduardo Bolsonaro teria conversado com Rubio antes do pedido oficial de informações. Após a análise do Departamento de Estado, foi confirmado que o detido já havia presidido a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o que contribuiu para a reavaliação do caso e sua liberação.
Decisão dos EUA e silêncio da PF
Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso. https://t.co/kNMWSchGcL
— Embaixada EUA Brasil (@EmbaixadaEUA) April 20, 2026
A decisão de expulsar o delegado brasileiro ocorre em meio a questionamentos sobre o uso de mecanismos de cooperação jurídica internacional e extradição. O governo americano não detalhou quais ações específicas motivaram a medida nem estabeleceu prazo público para o cumprimento da ordem.
Até o momento, não houve manifestação oficial da Polícia Federal nem do delegado envolvido sobre o episódio.
