Espionagem ao Vaticano cresce após críticas do Papa Leão XIV a Trump e à guerra no Irã.

Expresso Rio
Papa dá entrevista em seu avião -Imagem: Reprodução

A relação entre o governo dos Estados Unidos e o Vaticano entrou em um novo patamar de tensão após críticas públicas do Papa às ações militares americanas. Segundo informações do jornalista investigativo Ken Klippenstein, a gestão de Donald Trump intensificou operações de espionagem direcionadas ao Vaticano e ao pontífice.

Fontes ligadas à inteligência afirmam que agências como a CIA e a NSA ampliaram o monitoramento das comunicações do Papa Leão XIV, incluindo contatos com membros da Igreja Católica. A decisão teria sido tomada após o Papa criticar abertamente a política externa americana, especialmente em relação ao conflito envolvendo o Irã.

A reação do governo veio após Trump classificar o pontífice como “terrível para a política externa”, evidenciando o desgaste na relação entre Washington e a liderança do Vaticano. A fala marcou um ponto de inflexão em um relacionamento historicamente diplomático, ainda que permeado por divergências.

De acordo com os relatos, a vigilância ganhou intensidade logo após as manifestações públicas do Papa contra a atuação dos Estados Unidos no Oriente Médio. Dentro do governo americano, essas declarações foram interpretadas como um desafio direto aos interesses estratégicos do país.

Embora o monitoramento do Vaticano por agências de inteligência não seja novidade especialmente em temas ligados à segurança e cibersegurança, o foco atual teria se tornado mais direcionado à cúpula da Igreja. Isso inclui acompanhamento de decisões internas e posicionamentos do Papa sobre política internacional, sobretudo críticas a ações militares dos EUA.

Ciente da vigilância, o Papa Leão XIV tem abordado em seus discursos os riscos relacionados à interferência estatal em instituições religiosas. Ele tem destacado a importância da liberdade de expressão e da autonomia da Igreja diante de pressões externas.

Apesar do atual cenário de tensão, a relação entre Estados Unidos e Vaticano possui um histórico longo e complexo. Ao longo dos anos, houve cooperação em áreas como diplomacia, combate ao crime e segurança digital. Essa parceria, no entanto, sempre coexistiu com interesses de inteligência.

Documentos do FBI indicam que, durante o primeiro governo Trump, houve esforços para ampliar a colaboração com autoridades italianas e representantes do Vaticano em temas como crimes financeiros, tráfico humano e proteção contra ataques cibernéticos. Um dos projetos incluía suporte direto ao Vaticano para fortalecer sua defesa digital.

Além disso, a CIA mantém presença na embaixada dos Estados Unidos junto ao Vaticano e, ao longo dos anos, tem buscado acesso a estruturas internas do governo vaticano e seu corpo diplomático. Já a NSA atua na interceptação de comunicações, tanto de forma independente quanto em operações conjuntas com outras agências.

O Departamento de Estado americano também acompanha de perto os assuntos ligados ao Vaticano, produzindo relatórios diários e análises classificadas. Em meio ao atual cenário de tensão, a tendência é que esse monitoramento não diminua, mas se torne ainda mais estratégico.

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