A embaixada da França na Argentina declarou Hebe Casado, vice-governadora da província de Mendoza, “persona non grata” após comentários racistas sobre jogadores da seleção francesa e o atacante Kylian Mbappé.
Ela publicou a mensagem nas redes sociais depois da vitória da França sobre o Paraguai por 1 a 0, em 4 de julho. “Parabéns, Paraguai. A seleção africana, sem educação. Não suporto o Mbappé”, escreveu a política argentina.
Depois da primeira publicação, a vice-governadora compartilhou uma postagem do jornalista argentino Damian Di Pace. Ele afirmou que, se a França vencesse a Copa do Mundo, “deveríamos ser honestos e entregá-la à Confederação Africana de Futebol”.
O embaixador francês na Argentina, Romain Nadal, condenou as falas e afirmou que “a natureza racista dos comentários é inquestionável e eles desqualificam [a vice-governadora] de trabalhar com a embaixada ou participar de reuniões onde a embaixada esteja presente”.
Nadal também disse que “não há lugar para o racismo na cooperação franco-argentina”. Em outra manifestação, completou: “O racismo não é uma opinião, é um crime”.
A embaixada anunciou que nenhum funcionário francês participará de reuniões oficiais com o governo de Mendoza se Hebe Casado estiver presente. A decisão tem efeito diplomático, mas não impede a vice-governadora de viajar para a França.
Após a repercussão, Casado afirmou à mídia local que sua publicação fazia parte do “folclore do futebol”. Ela negou enxergar racismo na mensagem e atribuiu a reação a uma interpretação de terceiros.
“Quem não entender dessa forma deve ter algum problema não resolvido. […] Não vejo o aspecto racista do comentário. Se alguém o interpreta como racista, é porque considera os africanos inferiores. Eu não os considero inferiores”, declarou a vice-governadora.




