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Política

Como diplomatas reagiram à fake news de Flávio Bolsonaro sobre as urnas

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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Diplomatas presentes a um evento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência, avaliaram que a fake news que ele repetiu sobre urnas eletrônicas foi inadequada e pode lançar suspeitas sobre as eleições brasileiras.

Na terça-feira (21), diante de uma plateia estrangeira em Brasília, Flávio alegou que as urnas usadas na Venezuela são da mesma empresa que fornece equipamentos ao Brasil. A informação não é verdadeira. Ele também citou um suposto relatório da CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, para dizer que a Smartmatic estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012.

À Folha, um embaixador que participou do encontro disse que a declaração não foi ideal, mesmo com a ressalva do senador de que não pretendia questionar a legitimidade do processo eleitoral brasileiro. Para esse interlocutor, não cabia ao pré-candidato comparar a situação da Venezuela com a do Brasil.

O mesmo diplomata afirmou que uma apresentação recente do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, a representantes de outros países havia deixado a percepção de que as urnas eletrônicas brasileiras são seguras.

Justiça Eleitoral já negou vínculo da Smartmatic com urnas brasileiras

A Justiça Eleitoral declarou em 2020 que a Smartmatic, empresa venezuelana citada por Flávio, nunca vendeu urnas nem softwares usados em urnas para o Brasil. O órgão informou, naquele ano, que a companhia prestou outros serviços, como treinamento de pessoas para suporte técnico e operacional aos equipamentos.

Outro diplomata relatou ter considerado, em um primeiro momento, que Flávio tentava defender a posição de Jair Bolsonaro ao deslegitimar a eleição de 2022 e sugerir que Lula teria sido eleito de forma injusta. Depois, disse ter se perguntado se o senador buscava deslegitimar as próximas eleições. Para esse interlocutor, questionar a confiabilidade do sistema de votação equivale a questionar a democracia.

Após a repercussão, o senador afirmou que sua fala “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro”. A campanha divulgou outra nota e disse que “não é verdade” que o pré-candidato tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil. O texto afirma que ele apenas relatou fatos públicos e que disse expressamente que “não está questionando o sistema de votação brasileiro”.

O evento integrou uma rodada com presidenciáveis organizada pela consultoria Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, com embaixadores, cônsules, chefes de missão e representantes diplomáticos de mais de 40 países. Participantes relataram que Flávio concentrou a fala em investimentos estrangeiros na economia brasileira e não mencionou o tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

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