Boicote à eleição da Alerj com voto aberto eleva tensão no RJ

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Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil

A eleição que deve definir o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ganhou contornos de crise política nesta sexta-feira, após partidos de oposição anunciarem boicote ao processo. A decisão ocorre horas antes da votação e tem potencial para impactar diretamente o quórum necessário, além de ampliar a tensão institucional e judicial em torno do comando da Casa.

De acordo com informações divulgadas, parlamentares de siglas como PSD, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB e PSOL optaram por não participar da sessão. A estimativa interna é de que pelo menos 25 deputados se ausentem, o que pode comprometer o número mínimo exigido para a realização da eleição, fixado em 36 parlamentares maioria absoluta do plenário.

A estratégia da oposição está diretamente ligada ao modelo de votação adotado: o voto aberto. Deputados, sobretudo de partidos de esquerda, argumentam que esse formato expõe posicionamentos individuais e pode abrir espaço para pressões políticas e retaliações. Nos bastidores, a avaliação é de que o boicote também funciona como instrumento para esvaziar politicamente o processo e fortalecer questionamentos judiciais já em curso.

O movimento provocou, inclusive, a retirada de uma candidatura alternativa. O deputado Vitor Junior, do PDT, desistiu da disputa após a confirmação do voto aberto. Aliados consideraram que não havia condições de equilíbrio para uma disputa em um ambiente considerado desfavorável.

Enquanto isso, a base governista atua para garantir a vitória do deputado Douglas Ruas, do PL, apontado como principal favorito. A leitura entre aliados é de que, mesmo com a ausência de parte significativa da oposição, ele deverá alcançar votação suficiente entre os presentes. A expectativa é de que Ruas obtenha cerca de 40 votos, número confortável para assegurar o comando da Alerj.

Na manhã desta sexta-feira, deputados alinhados ao governo se reuniram no gabinete do presidente em exercício, Guilherme Delaroli, também do PL, para alinhar estratégias políticas e discursos. O encontro tratou não apenas da eleição em si, mas também dos possíveis desdobramentos após a definição do novo presidente.

Entre os cenários discutidos, está a possibilidade de entraves jurídicos envolvendo Douglas Ruas, especialmente no que diz respeito a uma eventual sucessão no governo estadual. Diante disso, uma alternativa considerada é que, mesmo eleito, o parlamentar se licencie do cargo para focar em uma eventual campanha eleitoral, mantendo Delaroli na presidência em exercício. A medida é vista como forma de preservar o controle político da Casa e garantir continuidade administrativa.

Paralelamente ao embate político, a disputa também avança no campo jurídico. O PDT protocolou uma ação na madrugada desta sexta-feira solicitando que a votação seja realizada de forma secreta. O partido sustenta que o modelo aberto compromete a independência dos deputados.

A ação se soma a outras iniciativas que questionam o processo. Parlamentares de esquerda indicam que, caso a eleição seja mantida nos moldes atuais e o resultado confirmado, haverá recurso ao Supremo Tribunal Federal. O objetivo será anular o pleito e convocar uma nova eleição com regras diferentes, especialmente com a adoção do voto secreto.

Segundo esses deputados, o principal argumento jurídico será de que o formato atual não garante liberdade plena de escolha, uma vez que parlamentares podem sofrer pressões internas ou externas ao declarar publicamente seus votos.

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