Uma auditoria interna da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) identificou que uma operação de resgate de aproximadamente R$ 44 milhões aplicados no Banco Master foi interrompida em maio de 2025 após intervenção atribuída ao empresário Daniel Vorcaro. O caso consta em relatório produzido pela área de auditoria da companhia e levanta questionamentos sobre a condução dos investimentos financeiros da estatal.
Segundo informações contidas no documento, o pedido de resgate havia sido formulado pelo gerente financeiro da companhia como medida para reduzir possíveis perdas relacionadas a investimentos considerados de maior risco. No entanto, a operação acabou sendo cancelada antes da conclusão.
De acordo com o relatório, a interrupção ocorreu após orientação repassada por um assessor ligado à Diretoria de Investimentos da Cedae. A auditoria aponta que a decisão resultou na manutenção dos recursos aplicados na instituição financeira, mesmo diante de recomendações técnicas que sugeriam a retirada dos valores.
O documento também registra que órgãos internos de controle e governança já haviam emitido alertas sobre a permanência dos recursos no Banco Master.
Conforme a auditoria, tanto o Conselho de Administração quanto o Comitê de Auditoria teriam manifestado preocupação com a exposição financeira da companhia e recomendado atenção à estratégia de investimentos adotada naquele momento.
Ainda segundo o relatório, as advertências não teriam sido suficientes para alterar a decisão final de manter os recursos aplicados.
A movimentação financeira analisada pela auditoria tinha como objetivo reduzir possíveis prejuízos relacionados a ativos classificados internamente como de maior risco ou baixa liquidez.
Segundo a apuração registrada no documento, a retirada dos recursos era vista por setores técnicos da companhia como uma alternativa para proteger o patrimônio financeiro da estatal diante das condições do mercado.
A auditoria buscou reconstruir a sequência dos acontecimentos e identificar os agentes envolvidos no processo decisório que levou ao cancelamento do resgate.
O caso reacende discussões sobre mecanismos de governança corporativa em empresas públicas e sobre a influência de decisões administrativas em operações financeiras de grande porte.
Especialistas em governança costumam destacar que recomendações de conselhos e comitês de auditoria possuem papel relevante na mitigação de riscos e no fortalecimento dos controles internos das organizações.
A auditoria da Cedae deverá servir de base para eventuais análises administrativas e para a adoção de medidas que garantam maior transparência nos processos de investimento da companhia.
O que diz o relatório
Entre os principais pontos apontados pela auditoria estão:
– Solicitação de resgate de aproximadamente R$ 44 milhões;
– Aplicação dos recursos junto ao Banco Master;
– Interrupção da operação após orientação de assessor da Diretoria de Investimentos;
– Existência de alertas prévios do Conselho de Administração;
– Recomendações do Comitê de Auditoria sobre os riscos envolvidos;
– Manutenção dos recursos na instituição financeira após o cancelamento do resgate.
O documento reforça a necessidade de avaliação dos procedimentos adotados e dos critérios utilizados para a tomada de decisão envolvendo recursos administrados pela companhia.
Até o momento, eventuais manifestações dos citados sobre as conclusões da auditoria devem ser consideradas para assegurar o contraditório e a ampla compreensão dos fatos.