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Argentina vira alvo nas redes antes da semifinal contra a Inglaterra por arbitragem e racismo

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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A Argentina chega à semifinal da Copa do Mundo contra a Inglaterra como uma das seleções mais comentadas do torneio, impulsionada pelas viradas com Lionel Messi como protagonista e, ao mesmo tempo, por críticas nas redes sociais sobre arbitragem e racismo.

As acusações de favorecimento cresceram após o jogo contra o Egito, quando a arbitragem anulou um gol de Ziko por falta em Lisandro Martínez no início da jogada. O duelo também teve reclamações sobre um pênalti em Nicolás Tagliafico, desperdiçado por Messi, e sobre um suposto pênalti não marcado em Mohamed Salah.

Outro lance citado por torcedores ocorreu na partida contra a Suíça. Breel Embolo recebeu o segundo cartão amarelo e acabou expulso depois que o árbitro de vídeo acionou o juiz de campo por erro de identidade em uma jogada com Leandro Paredes; a revisão apontou simulação do suíço.

A escolha do norte-americano Ismail Elfath para apitar a semifinal ampliou a discussão. O jornal inglês Daily Mail chamou o árbitro de “árbitro favorito de Lionel Messi” e citou que o Inter Miami venceu todos os jogos comandados por Elfath desde a chegada do argentino ao clube, em junho de 2023.

O zagueiro Lisandro Martínez rebateu as críticas depois da vitória sobre o Egito e defendeu a atuação dos árbitros. “Acho que eles [árbitros] estão fazendo um excelente trabalho. Isso é algo para vocês [imprensa], que às vezes geram as controvérsias. Nós nos preocupamos em dar o nosso melhor em campo e nada mais”, afirmou.

O técnico Lionel Scaloni também comentou a pressão sobre a seleção e comparou o ambiente atual a críticas antigas contra a Argentina. “Em 1986 [quando a Argentina venceu a Copa], também diziam que nos favoreciam, isso não vem de agora. A Argentina é uma das equipes que sempre animam o torneio. Há pessoas que não querem que a Argentina ganhe, mas é normal. Há bastante gente querendo que não ganhemos, talvez porque já vencemos a última.”

A rejeição nas redes também envolve episódios de racismo ligados a argentinos. Em 2024, jogadores da seleção comemoraram o título da Copa América com cânticos racistas sobre a seleção francesa; no Mundial, a vice-governadora de Mendoza, Hebe Casado, escreveu no X, após França x Paraguai: “Muito bem, Paraguai. O time africano, sem modos. Não suporto Mbappé”. A embaixada da França declarou Casado “persona non grata”.

O caso de maior visibilidade recente envolveu o influenciador norte-americano IShowSpeed, hostilizado por argentinos no jogo contra o Egito enquanto filmava um torcedor imitando um macaco. Ele também havia sido alvo de hostilidade na partida anterior, contra Cabo Verde, quando usava uma camisa do país africano. A Fifa abriu investigação para apurar os episódios.

O sociólogo argentino Nicolas Cabrera, doutor em antropologia e pesquisador da violência entre torcidas, afirma que o problema no país passa pela negação do racismo. “A principal característica é a negação do racismo na Argentina. Não é só a persistência do racismo, senão a dificuldade para reconhecê-lo como um problema, o que faz com que essas expressões racistas sejam tratadas como brincadeiras”, disse.

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