O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, oficializou nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente em sua chapa para as eleições de 2026. O anúncio foi feito em Brasília, no último dia do prazo para as convenções partidárias, encerrando uma longa negociação que envolveu lideranças do Centrão, partidos aliados e diferentes alternativas dentro da própria legenda.
Com a escolha de Gaspar, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, a campanha do senador sinaliza que pretende explorar politicamente as investigações sobre fraudes envolvendo aposentadorias e supostos desdobramentos que atingem integrantes do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Escândalo do INSS vira prioridade da campanha
Durante entrevista coletiva, Flávio Bolsonaro afirmou que o caso do INSS será um dos principais temas da campanha eleitoral. Ao justificar a escolha do companheiro de chapa, o senador relacionou as investigações aos recentes episódios envolvendo o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como “Marcola”, alvo de apurações sobre supostos recebimentos de recursos ligados ao esquema.
“Nos últimos dias, todos vocês noticiaram como a degradação moral atingiu o atual governo. A corrupção, o desvio e roubo do INSS entraram no gabinete do Lula. O seu Marcola está sendo acusado de receber dinheiro que veio do desvio. Talvez a coisa mais hedionda que aconteceu no nosso país nas últimas décadas. Um governo que não respeitou nem os aposentados”, declarou Flávio.
O evento reuniu importantes lideranças do partido e aliados, entre elas o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, a deputada Bia Kicis, além da senadora Tereza Cristina e de Daniella Marques, ambas cotadas anteriormente para ocupar a vaga de vice.
Fracasso nas alianças levou à escolha dentro do PL
A definição de Alfredo Gaspar ocorreu depois que o PL não conseguiu consolidar uma coligação nacional para fortalecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Ao longo da pré-campanha, o senador buscou atrair partidos como PP, Republicanos, União Brasil e Podemos. A vaga de vice foi utilizada como principal instrumento de negociação, mas todas as legendas decidiram permanecer formalmente neutras na disputa presidencial.
Durante vários meses, Flávio manifestou preferência por uma mulher na composição da chapa. A principal aposta era a senadora Tereza Cristina, cuja participação acabou inviabilizada após o PP decidir manter neutralidade.
Na sequência, o PL tentou convencer o Republicanos a indicar Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Apesar das negociações, o partido também optou por não integrar nenhuma chapa presidencial. O Podemos foi procurado na reta final, mas igualmente recusou participar formalmente da coligação.
Sem conseguir ampliar sua base partidária, a campanha decidiu concentrar a escolha em um nome da própria legenda.
Ao anunciar Alfredo Gaspar, Flávio Bolsonaro também encerrou uma das últimas indefinições de sua candidatura. Até então, ele era o único entre os principais candidatos ao Palácio do Planalto que ainda não havia oficializado seu vice.
Segundo estimativas baseadas nas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ausência de novos partidos na coligação deverá garantir ao candidato do PL cerca de 4 minutos e 20 segundos por bloco no horário eleitoral gratuito. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apoiado por uma aliança mais ampla, deverá contar com aproximadamente 5 minutos e 32 segundos de propaganda.
Em outro momento da coletiva, Flávio fez referência às dificuldades enfrentadas durante a pré-campanha.
“Muita gente não acreditava que eu passaria do dia 5 de abril. Várias confusões vieram, mas conseguimos superar”, afirmou.




