Após 35 anos, Alemanha aceita devolver fóssil saqueado do Brasil

Expresso Rio
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Fóssil de um Irritator challengeri - Imagem: Reprodução

A Alemanha aceitou devolver ao Brasil o fóssil do dinossauro Irritator challengeri, retirado ilegalmente da Chapada do Araripe, no Ceará, há 35 anos. A decisão foi confirmada após articulação diplomática entre os governos dos dois países e é considerada uma vitória histórica para a ciência e para a preservação do patrimônio paleontológico nacional.

O anúncio da restituição foi feito no último dia 20 de abril, por meio de uma declaração conjunta divulgada após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país europeu. Apesar da confirmação da devolução, a data e o formato do retorno da peça ainda serão definidos pelas autoridades brasileiras e alemãs.

O fóssil estava desde 1991 no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, onde foi utilizado para a descrição oficial da espécie em 1996. Considerado um dos crânios mais completos já encontrados entre os espinossaurídeos, o exemplar ganhou importância internacional e se tornou referência em estudos sobre dinossauros carnívoros.

A peça também passou a simbolizar a luta de pesquisadores brasileiros contra o contrabando de fósseis retirados ilegalmente do território nacional e enviados para coleções estrangeiras sem autorização legal.

A Sociedade Brasileira de Paleontologia celebrou a decisão e classificou a medida como uma vitória histórica na defesa do patrimônio científico do país. Para especialistas, o retorno do material reforça a necessidade de proteção da Chapada do Araripe, uma das regiões paleontológicas mais importantes do mundo.

A expectativa é que, após a devolução, o fóssil seja encaminhado ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, localizado em Santana do Cariri, no Ceará, região onde o material foi encontrado originalmente.

O caso reacende o debate sobre a saída irregular de fósseis brasileiros para o exterior e fortalece a cobrança por políticas mais rígidas de fiscalização e preservação do acervo científico nacional.

Com a restituição, o Brasil recupera uma peça de valor inestimável para a pesquisa, a educação e a memória histórica, em um marco que pode abrir caminho para novas devoluções de materiais levados ilegalmente para fora do país.

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