O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria atuado nos bastidores para dificultar a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, segundo relatos atribuídos a senadores e divulgados nesta terça-feira.
De acordo com as informações, Alcolumbre teria pedido a parlamentares que votassem contra a indicação, apesar de publicamente sustentar um discurso de neutralidade sobre o processo. A movimentação, segundo interlocutores, ocorre em meio a uma disputa política que pode impactar a relação entre o Executivo e o Legislativo.
Nos bastidores, a avaliação de aliados do presidente do Senado é de que uma eventual rejeição do nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva fortaleceria o Senado nas futuras escolhas para o Supremo, ampliando o peso político da Casa nas decisões institucionais.
Em nota, Alcolumbre negou qualquer tentativa de interferência no resultado da votação. O senador classificou como lamentável a repercussão de conversas informais e afirmou manter postura institucional durante toda a tramitação.
“É lamentável que, em um dia importante para as instituições, conversas de corredor ganhem destaque”, declarou.
O presidente do Senado também criticou a divulgação de informações baseadas em rumores e reforçou que o rito de apreciação da indicação seguirá normalmente.
Segundo relatos de integrantes do STF e parlamentares, Alcolumbre teria demonstrado insatisfação com a escolha feita pelo Palácio do Planalto, por preferir outro nome para ocupar a vaga na Corte. Desde então, interlocutores apontam um distanciamento político entre o senador e o governo federal.
Aliados do governo afirmam que procuraram o presidente do Senado para esclarecer os rumores e receberam a sinalização de que não haveria interferência formal no processo.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, afirmou que, embora Alcolumbre não esteja atuando em favor da indicação, também não estaria exercendo pressão direta para inviabilizá-la.
“Todo mundo me diz que ele não está ajudando, o que é fato, mas também não está pesando a mão para atrapalhar”, afirmou.
A indicação de Jorge Messias está sob relatoria de Weverton Rocha na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Nos bastidores do plenário, parlamentares da oposição discutem estratégias para tentar barrar a aprovação.

As projeções internas apontam um cenário de forte disputa. A oposição estima cerca de 30 votos contrários, enquanto governistas afirmam já contar com ao menos 45 votos favoráveis.
Para ser aprovado ao STF, o indicado precisa obter 41 votos entre os 81 senadores.
O resultado da votação é acompanhado com atenção por lideranças políticas e integrantes do Judiciário, já que a decisão pode influenciar diretamente o equilíbrio institucional entre os Poderes e o ambiente político em Brasília.



