A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a chamada PEC 6×1 negocia um modelo que pode mudar diretamente a rotina de milhões de trabalhadores brasileiros. Segundo informações de parlamentares envolvidos nas discussões, o parecer do relator, deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA), deve prever a implementação imediata da escala 5×2, garantindo dois dias obrigatórios de folga semanal sem período de transição.
A proposta vem sendo debatida em Brasília e ganhou força nos bastidores da comissão especial. Conforme apuração junto a integrantes do colegiado, o entendimento predominante é de que a mudança nos dias de descanso entre em vigor logo após a eventual aprovação da PEC, enquanto apenas a redução da jornada semanal teria adaptação gradual.
Atualmente, a legislação trabalhista brasileira permite jornadas de até 44 horas semanais. A proposta em discussão prevê queda progressiva para 40 horas semanais, em um modelo escalonado até 2028.
Segundo parlamentares da comissão, o texto em construção prevê que a carga horária semanal seja reduzida inicialmente para 42 horas em 2027 e posteriormente para 40 horas em 2028.
O objetivo, de acordo com integrantes da Câmara, seria permitir adaptação gradual de setores econômicos considerados mais sensíveis às mudanças, especialmente segmentos que operam com grande volume de mão de obra e escalas contínuas.
Apesar disso, existe uma ala dentro da Câmara dos Deputados que defende outro caminho. Parlamentares desse grupo avaliam que a PEC deveria apenas garantir o direito à redução da jornada e à nova escala, deixando as regras de transição para futura regulamentação por projeto de lei.
A expectativa entre integrantes da comissão especial é de que o relator apresente a versão final do parecer já na próxima semana. Nos bastidores do Congresso Nacional, parlamentares dão como provável que a votação ocorra no dia 26 de maio.

Caso seja aprovada na comissão especial, a proposta seguirá para análise no plenário da Câmara dos Deputados ainda no mesmo dia, conforme previsão discutida entre líderes partidários.
A PEC 6×1 se tornou um dos temas mais debatidos nas redes sociais e no meio político nos últimos meses, principalmente após movimentos trabalhistas e entidades sindicais ampliarem pressão por mudanças nas jornadas consideradas excessivas.
A possível adoção imediata da escala 5×2 pode afetar diretamente empresas, setores comerciais, serviços e trabalhadores em todo o Brasil. Especialistas apontam que a mudança pode alterar modelos operacionais de diversos segmentos econômicos.
Defensores da proposta argumentam que a medida pode melhorar qualidade de vida, saúde mental e produtividade dos trabalhadores. Já setores empresariais demonstram preocupação com possíveis impactos financeiros e necessidade de reorganização operacional.
Segundo integrantes da comissão, o texto final ainda pode sofrer alterações antes da votação oficial. Mesmo assim, o cenário atual indica forte articulação política para acelerar a tramitação da proposta no Congresso Nacional.
A discussão em torno da PEC 6×1 também ganhou repercussão em estados como o Rio de Janeiro, onde trabalhadores de comércio, serviços e indústria acompanham de perto os desdobramentos da proposta que pode transformar o modelo tradicional de jornada no país.
Nos próximos dias, a expectativa é de intensificação das negociações entre líderes partidários, representantes sindicais e setores empresariais antes da votação definitiva do texto na Câmara.


