A confirmação de casos de hantavírus em um navio que segue para as Ilhas Canárias, na Espanha, gerou preocupação internacional nos últimos dias. No entanto, especialistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmam que não há motivo para pânico e descartam risco de uma nova pandemia.
O médico imunologista Roberto Zeballos comentou o episódio em vídeo divulgado nas redes sociais nesta sexta-feira (8) e afirmou que o vírus é conhecido há décadas, além de apresentar baixa capacidade de transmissão entre humanos.
Segundo Zeballos, o hantavírus foi identificado pela primeira vez em 1993 e possui características diferentes de vírus respiratórios de rápida disseminação, como ocorreu durante a pandemia de covid-19.
“Não é um vírus respiratório de fácil transmissão entre humanos. Essa transmissão exige contato muito próximo e prolongado”, explicou o especialista.
De acordo com o imunologista, apenas uma variante do hantavírus possui capacidade conhecida de transmissão entre pessoas. Trata-se da variante Andes, identificada principalmente em países da América do Sul, como a Argentina.
Segundo ele, isso levanta a possibilidade de alguns passageiros já terem embarcado contaminados antes da viagem do navio MV Hondius, de bandeira holandesa.
“Tem só uma variante, chamada Andes, que inclusive existe na Argentina. Isso faz a gente acreditar que talvez alguns passageiros já tenham entrado contaminados no navio”, declarou.
O médico também reforçou que, mesmo nos casos em que há transmissão entre humanos, o contágio exige convivência muito próxima, o que reduz significativamente a possibilidade de disseminação em larga escala.
OMS afirma que risco global é baixo
A Organização Mundial da Saúde também buscou tranquilizar a população diante da repercussão do caso. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou neste sábado (9) que o surto registrado na embarcação não representa ameaça mundial.
“Preciso que me ouçam com clareza: isto não é uma nova covid”, declarou Tedros em comunicado direcionado aos moradores das Ilhas Canárias.
Segundo a OMS, três passageiros morreram durante a viagem e outras seis pessoas apresentaram sintomas compatíveis com a doença. A organização confirmou que uma das vítimas teve infecção por hantavírus confirmada, além de outros quatro casos diagnosticados.
A chefe de preparação para epidemias e pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, também reforçou que o episódio não representa o início de uma epidemia global.
“Este não é o começo de uma epidemia, não é o começo de uma pandemia”, afirmou.
Entenda o que é o hantavírus
O hantavírus pertence a um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores silvestres. A infecção humana costuma ocorrer pela inalação de partículas contaminadas presentes na urina, fezes ou saliva desses animais.
O risco é maior em locais fechados e pouco ventilados, especialmente ambientes rurais ou áreas com presença de roedores.
Os sintomas podem incluir febre, dores musculares, cansaço intenso e problemas respiratórios. Em casos graves, a doença pode evoluir para complicações pulmonares.
Autoridades sanitárias de diferentes países seguem monitorando passageiros e pessoas que tiveram contato próximo com ocupantes do navio para evitar novos casos.

