A investigação realizada pela Polícia Federal, que culminou na Operação Miragem, trouxe à luz um esquema suspeito dentro do Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo. De acordo com documentos do Banco Central, incorporados ao inquérito, os diretores do banco teriam promovido uma valorização artificial de ativos, o que elevou os registros contábeis da instituição em aproximadamente R$ 670 milhões.
As conclusões de um processo interno de supervisão bancária, encaminhado pelo Banco Central ao Ministério Público Federal e anexado à investigação, apontam que o Digimais adotou práticas semelhantes às utilizadas pelo extinto Banco Master. Isso incluiu reavaliações consideradas artificiais para melhorar a situação patrimonial perante órgãos reguladores e o mercado.
A Polícia Federal afirma que o modelo utilizado pelo Digimais reproduziu estratégias de instituições financeiras em dificuldades de liquidez, com o objetivo de apresentar uma situação financeira mais robusta do que a realidade. Os investigadores destacam que a diretoria da instituição financeira utilizou mecanismos de valorização excessiva de ativos para mascarar a deterioração de sua carteira de crédito.
Créditos judiciais estão no centro da investigação. De acordo com o relatório do Banco Central, a operação investigada teve origem em direitos creditórios ligados a uma antiga ação judicial movida por herdeiros da família Villela contra a União. Esses créditos foram adquiridos e reavaliados, resultando em uma valorização que não refletia a realidade econômica dos ativos.
O relatório aponta que a estratégia foi ampliada, e ativos adquiridos por aproximadamente R$ 71 milhões passaram a figurar nos balanços do banco por R$ 741,3 milhões. A diferença identificada pelo Banco Central alcançou R$ 670,3 milhões. Para os órgãos de fiscalização, a valorização não refletia a realidade econômica dos ativos e produziu um impacto relevante na demonstração financeira da instituição.
Após detectar as inconsistências, o Banco Central determinou que o Digimais corrigisse os registros contábeis. No entanto, a instituição solicitou que os efeitos contábeis da correção fossem diluídos ao longo de cinco anos. Posteriormente, outra estratégia foi adotada, com a venda das cotas do fundo Hermon para a controladora do banco, a B.A. Empreendimentos e Participações, pelo valor integral de R$ 741,3 milhões.
A operação é questionada, pois nenhum recurso ingressou efetivamente no caixa do banco no momento da transação, e o pagamento foi previsto para ocorrer apenas em 2032. Após a operação, o banco reverteu provisões anteriormente determinadas pelo Banco Central, mantendo nos balanços os mesmos valores considerados artificialmente inflados, agora registrados como créditos a receber da própria controladora.
A Operação Miragem foi deflagrada com base nas informações produzidas pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal. A ação cumpriu nove mandados de busca e apreensão, e a Justiça autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 670,3 milhões. As investigações apuram possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo gestão fraudulenta e operações financeiras irregulares.
Fonte original: https://agendadopoder.com.br/banco-de-edir-macedo-reproduziu-modelo-do-master-para-inflar-ativos-aponta-pf/