A Polícia Federal realizou uma operação na manhã de terça-feira para investigar um suposto esquema de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Digimais, uma instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A operação, denominada Miragem, visa apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e foca em irregularidades praticadas por administradores do banco para ocultar sua real situação patrimonial.
Cerca de 50 policiais federais participaram da operação, cumprindo nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. Além das diligências, a decisão judicial determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e autorizou o bloqueio e sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 670,3 milhões. Edir Macedo é um dos investigados, pois é o proprietário da instituição financeira.
A suspeita de manipulação contábil é um dos principais focos da investigação. De acordo com a Polícia Federal, a investigação teve origem em relatórios produzidos pelo Banco Central do Brasil que apontaram indícios de graves irregularidades na condução dos negócios da instituição. As apurações indicam que administradores do banco teriam promovido uma manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis para esconder dificuldades financeiras e transmitir ao mercado e aos órgãos reguladores uma imagem de solidez que não corresponderia à realidade.
A Polícia Federal também apura a realização de operações financeiras supostamente ilegais em benefício da empresa controladora do banco, além da possível inserção de informações falsas e manipulação de dados em sistemas oficiais utilizados pelo órgão regulador. Os investigados poderão responder por crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pela legislação.
O bloqueio de até R$ 670,3 milhões demonstra a dimensão financeira das suspeitas investigadas pela Polícia Federal. A medida busca preservar recursos que poderão ser utilizados para eventual reparação de danos ou para garantir o cumprimento de futuras decisões judiciais. A Operação Miragem ocorre em um momento de forte escrutínio sobre instituições financeiras de médio porte e amplia a pressão sobre a administração do Digimais, que recentemente esteve envolvido em negociações para mudança de controle.
O Banco Digimais tem origem no antigo Banco Renner, fundado em 1981 em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A instituição passou por diversas mudanças societárias ao longo das últimas décadas até ser transformada em banco digital. Em 2020, após uma reestruturação, o banco adotou a marca Digimais. Foi nesse período que Edir Macedo assumiu o controle integral da instituição ao adquirir a totalidade das ações.
Nos anos seguintes, o banco buscou expandir sua atuação no mercado financeiro digital, mas enfrentou desafios relacionados ao ambiente econômico e à crescente concorrência entre instituições financeiras. Em janeiro de 2025, o controle do Digimais chegou a ser transferido para o empresário Maurício Quadrado, mas a operação não foi concluída. Mais recentemente, em abril deste ano, o BTG Pactual anunciou um acordo para adquirir o Digimais, mas a conclusão do negócio depende de uma série de etapas regulatórias.
Fonte original: https://agendadopoder.com.br/fraude-no-digimais-pf-faz-operacao-contra-banco-do-bispo-edir-macedo-e-bloqueia-670-milhoes/

