Em um cenário de grande desafio, o escritor e ex-ministro da Cultura de Cuba, Abel Prieto, afirmou que a ilha caribenha está enfrentando o momento mais difícil de sua história recente devido ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. Com 76 anos, Prieto, que também preside a Casa de las Américas, declarou que Cuba está preparada para resistir à crise sem abandonar o socialismo.
Em uma entrevista recente, Prieto destacou que o endurecimento das sanções norte-americanas agravou drasticamente a situação econômica e social do país. Ele apontou que, embora o embargo exista há mais de seis décadas, o cenário atual é o mais grave já enfrentado pela população cubana, com falta de combustível, dificuldades no transporte público e longos períodos sem fornecimento de energia elétrica.
A crise energética também está afetando diretamente o sistema de saúde, provocando atrasos em cirurgias e comprometendo serviços considerados essenciais. Além disso, a redução das importações de combustível e a queda da atividade turística, uma das principais fontes de divisas da economia cubana, estão aumentando a pressão econômica sobre o país.
Prieto acusou os Estados Unidos de tentar provocar um cenário de instabilidade interna por meio da pressão econômica, com o objetivo de provocar um levante popular pelo desespero, pelos apagões, pela falta de comida e remédio. No entanto, ele reiterou que o governo cubano continua disposto ao diálogo, mas rejeita qualquer negociação que envolva mudanças no sistema político adotado pela ilha desde a Revolução Cubana.
Quando questionado sobre até onde Cuba estaria disposta a ceder em uma eventual negociação com Washington, Prieto foi claro: “Não vamos ceder à mudança do sistema socialista”. Ele reforçou a disposição de resistência do regime cubano diante da pressão externa, defendendo a manutenção da soberania e do modelo político da ilha.
Além disso, Prieto também comentou o cenário político latino-americano, destacando a importância de governos de esquerda na região. Ele enfatizou que uma eventual derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfraqueceria o campo progressista no continente em um momento de crescimento de lideranças conservadoras em vários países da América Latina.
Fonte original: https://agendadopoder.com.br/cuba-nao-vai-se-render-diz-escritor-abel-prieto-em-duro-recado-aos-eua/

