As negociações entre o Irã e os Estados Unidos na Suíça foram interrompidas após o presidente americano Donald Trump fazer novas ameaças contra a República Islâmica. De acordo com a agência estatal iraniana Irna, a delegação iraniana abandonou o local de encontro após uma reunião com representantes do Catar, que atuam como mediadores no processo diplomático.
A saída da delegação iraniana ocorreu poucas horas após a chegada das equipes dos dois países a um resort nos Alpes suíços, onde estavam programadas discussões sobre temas estratégicos para a estabilidade regional, incluindo o conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano, a liberação de ativos iranianos congelados e a comercialização de petróleo do país.
Antes da reunião, Trump havia pedido que o Irã impedisse seus aliados libaneses de "causar problemas" e alertou para a possibilidade de novos ataques contra o Irã caso isso não ocorresse. A resposta iraniana foi rápida, com o presidente do Parlamento do país, Mohamad Baqer Qalibaf, afirmando que as Forças Armadas iranianas estão preparadas para reagir e aconselhando Washington a moderar o discurso.
O episódio elevou a tensão entre os dois países, justamente no momento em que negociadores buscavam avançar em uma agenda voltada para a redução dos conflitos no Oriente Médio. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, classificou o encontro como uma oportunidade histórica para redefinir as relações regionais, mas a saída da delegação iraniana coloca em dúvida a continuidade dos esforços diplomáticos.
A situação no Líbano foi o principal tema das negociações, com o governo iraniano afirmando que o país considera que Israel continua descumprindo compromissos relacionados ao cessar-fogo. Além do conflito libanês, estavam previstas discussões sobre a liberação de recursos financeiros iranianos bloqueados no exterior e sobre a emissão de autorizações para a exportação de petróleo do país.
O tema ganhou ainda mais relevância após a primeira cláusula do protocolo firmado remotamente entre Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, estabelecer o compromisso mútuo de evitar ameaças ou uso da força. No entanto, a retomada das tensões coloca em dúvida a continuidade dos esforços diplomáticos que vinham sendo conduzidos com apoio de mediadores internacionais.
Outro ponto de atenção envolve o Estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo. No sábado, autoridades iranianas afirmaram ter voltado a bloquear a passagem em resposta às violações do cessar-fogo no Líbano. Os EUA contestaram a informação e garantiram que monitoram a região para assegurar o fluxo normal do tráfego marítimo.
A situação mantém mercados internacionais em alerta diante da possibilidade de impactos sobre o abastecimento energético global. Além disso, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que o país está disposto a fornecer garantias formais de que não pretende desenvolver armas nucleares, mas destacou que o Irã não abrirá mão do direito de enriquecer urânio para fins considerados legítimos pelo governo.
A delegação iraniana presente na Suíça era composta pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, e pelo presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati. Enquanto as negociações ocorriam na Suíça, a situação no Líbano permanecia instável, com o cessar-fogo sob risco de ser quebrado a qualquer momento. A fragilidade do cessar-fogo e o aumento da tensão diplomática entre Washington e Teerã ampliam as incertezas sobre os próximos passos das negociações e sobre a estabilidade do Oriente Médio.
Fonte original: https://agendadopoder.com.br/ira-abandona-negociacoes-com-os-eua-na-suica-apos-novas-ameacas-de-trump/

