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InícioBrasilNo STF, Gonet defende que Congresso pode para reduzir pena de Bolsonaro

No STF, Gonet defende que Congresso pode para reduzir pena de Bolsonaro

Paulo Gonet apresentou apresentação contra Eduardo Bolsonaro
O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Foto: Victor Piemonte/STF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu no Supremo Tribunal Federal (STF) a validade da Lei da Dosimetria, norma aprovada pelo Congresso que pode reduzir penas de Jair Bolsonaro e de outros condenados pela tentativa de golpe de Estado e pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

A manifestação foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, relator das ações que questionam a constitucionalidade da lei. Gonet se posicionou contra a suspensão imediata da norma e afirmou que o Congresso tem autonomia para definir políticas criminais e critérios de progressão de regime.

Segundo o PGR, as mudanças aprovadas pelo Senado têm caráter técnico e não configuram desrespeito ao rito legislativo nem casuísmo ilícito. Gonet também argumentou que a lei não cita beneficiários individualmente, não menciona pessoas específicas e não se limita formalmente aos ataques de 8 de janeiro.

A posição interessa diretamente ao bolsonarismo porque a Lei da Dosimetria pode aliviar penas aplicadas a condenados por crimes contra a ordem democrática. Jair Bolsonaro foi condenado no processo da trama golpista, e a defesa de aliados vê na norma uma das principais frentes para tentar reduzir os efeitos penais das decisões do STF.

O STM solicitou o histórico disciplinar de Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: EFE/Andre Borges

Moraes já havia suspendido a aplicação da lei em casos concretos, como o pedido de redução de pena de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom. A suspensão foi justificada pela existência de ações diretas de inconstitucionalidade ainda pendentes de julgamento no plenário.

As ações contra a lei foram apresentadas por partidos e entidades como PSOL-Rede, ABI, PT, PDT, PV e PCdoB. Os autores sustentam que os dispositivos questionados reduzem a proteção penal da democracia e criam tratamento privilegiado para condenados por crimes contra o Estado democrático de direito.

Nos bastidores do STF, segundo a Folha, há ministros que apostam em uma validação ampla da Lei da Dosimetria, em parte para evitar novo choque institucional com o Congresso. O texto foi aprovado por ampla maioria, vetado por Lula e teve o veto derrubado pelos parlamentares em 30 de abril.

Cabe agora a Moraes definir o ritmo das ações. O relator pode levar o caso ao plenário ou conceder uma liminar de alcance geral, hipótese que precisaria ser submetida ao referendo dos demais ministros. Até lá, a disputa mantém no centro do STF o alcance da punição aos responsáveis pela ofensiva golpista.