
A defesa de Jair Bolsonaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a equipe de segurança do ex-presidente retirou o percussor de uma pistola registrada em seu nome para tornar o armamento inoperante. Segundo os advogados, a medida foi tomada porque medicações psiquiátricas usadas pelo ex-chefe do Executivo afetariam sua “cognição”. Com informações de O Globo.
A explicação foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes depois que uma pistola Glock 9 mm pertencente a Bolsonaro foi apreendida durante uma blitz da Lei Seca em Taguatinga, no Distrito Federal. A arma estava com um segundo-sargento do Exército, que se identificou como integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e disse trabalhar com o ex-presidente.
Na manifestação, os advogados sustentaram que Bolsonaro possuía regularmente o armamento e que o STF não determinou a entrega de armas nem o cancelamento dos registros em nome dele, apesar da condenação a 27 anos de prisão pela ação penal da tentativa de golpe. A defesa afirmou ainda que o ex-presidente entregaria a pistola se houvesse ordem expressa do Supremo.

Os representantes de Bolsonaro disseram que o ex-presidente percebeu uma falha no funcionamento da arma pelo “simples acionamento do ferrolho” e a entregou ao militar para verificação. Segundo a defesa, a necessidade de reparo não teria relação com a proximidade do fim do prazo da prisão domiciliar humanitária, que vence a menos de dez dias.
A Polícia Civil do Distrito Federal informou Moraes sobre a apreensão e abriu inquérito para apurar o caso. As informações da investigação serão compartilhadas com o gabinete do ministro, responsável pela execução penal de Bolsonaro.
De acordo com o boletim de ocorrência, a pistola foi recolhida porque o militar não apresentou o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), documento necessário para o porte. Também foi encontrado no carro um carregador sobressalente. O nome de Bolsonaro aparece como “envolvido” no registro policial.
O caso aumentou a pressão sobre a situação do ex-presidente às vésperas do fim da domiciliar. Moraes cobrou explicações sobre por que a arma de Bolsonaro estava em sua casa, por que teria sido enviada para reparo nesse momento e se as ordens de revista nos veículos que deixam a residência estavam sendo cumpridas.

