O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve anunciar nesta quarta-feira (17) um novo corte na taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano. A expectativa predominante entre instituições financeiras é de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos da economia brasileira para 14,25%.
Caso a projeção se confirme, a Selic retornará ao mesmo nível registrado entre julho de 2015 e outubro de 2016, período marcado por forte turbulência política e econômica no país.
Levantamento realizado junto ao mercado financeiro mostra amplo consenso em torno da redução. Das 112 instituições consultadas, 94 apostam no corte de 0,25 ponto percentual, enquanto 18 acreditam que a taxa será mantida no patamar atual.
Mercado monitora inflação e desaceleração econômica
Apesar do recente acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para um novo cessar-fogo no Oriente Médio, analistas avaliam que o entendimento não altera significativamente as perspectivas para a política monetária brasileira.
A reunião do Copom, presidida por Gabriel Galípolo, ocorre em um cenário de preocupações persistentes com a inflação e dúvidas sobre a velocidade de desaceleração da atividade econômica nacional.
Na última reunião, realizada em abril, o Banco Central indicou que continuaria o processo de ajuste gradual dos juros, mas evitou antecipar o ritmo ou a duração do ciclo de cortes. A autoridade monetária destacou que as decisões futuras dependeriam da evolução dos indicadores econômicos e dos riscos externos.
Segundo a ata divulgada após o encontro, o comitê reforçou que a convergência da inflação para a meta segue como prioridade e que novas informações serão determinantes para definir os próximos passos da política monetária.
Cenário internacional continua no radar
As tensões geopolíticas no Oriente Médio foram um dos principais fatores de cautela adotados pelo Banco Central nos últimos meses. O conflito elevou os preços internacionais do petróleo e aumentou a incerteza sobre a economia global.
Mesmo com a sinalização de trégua entre Washington e Teerã, especialistas avaliam que ainda é cedo para considerar uma normalização completa do cenário externo. A durabilidade do acordo e seus impactos efetivos sobre os mercados permanecem cercados de dúvidas.
Além disso, o BC segue atento aos efeitos da conjuntura internacional sobre os preços domésticos, especialmente combustíveis e commodities, que influenciam diretamente a inflação brasileira.
Na reunião de abril, o Copom estimava que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerraria 2026 em 4,6% e 2027 em 3,5%. O objetivo oficial de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Agora, parte relevante do mercado acredita que a projeção para 2027 poderá subir para 3,6%, mantendo-se acima do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
As expectativas captadas pelo Boletim Focus também seguem pressionadas. Atualmente, os economistas projetam inflação de 5,30% para este ano e de 4,10% para 2027, indicando desafios adicionais para o trabalho do Banco Central.
Outro fator observado pela autoridade monetária é a trajetória esperada para a própria Selic. Entre as últimas reuniões do Copom, as projeções do mercado para os juros futuros aumentaram, refletindo maior cautela em relação ao processo de flexibilização monetária.
Economistas veem fim próximo do ciclo de cortes
Para parte dos especialistas, o corte esperado nesta quarta-feira pode representar a última redução da Selic neste ciclo.
O economista Leonardo França Costa, da ASA, avalia que o acordo entre Estados Unidos e Irã não muda de forma relevante o cenário enfrentado pelo Banco Central. Segundo ele, as incertezas externas continuam elevadas e os efeitos positivos de uma eventual queda do petróleo sobre a inflação brasileira tendem a ser limitados.
A análise considera que medidas adotadas pelo governo e pela Petrobras já amorteceram parte do impacto da alta internacional do petróleo sobre os preços dos combustíveis no mercado interno, reduzindo os ganhos potenciais de uma eventual retração das cotações globais.
Além disso, Costa destaca que a atividade econômica brasileira permanece aquecida, o mercado de trabalho continua resiliente e as expectativas inflacionárias seguem em deterioração, fatores que reforçam a necessidade de cautela por parte do Banco Central.
Na avaliação do economista, o atual ambiente econômico sugere um ciclo curto de cortes nos juros, com espaço cada vez mais restrito para novas reduções ao longo dos próximos meses.
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