POLíTICA

Lula diz que nunca foi esquerdista em conversa com presidente do FMI no G7

Por Expresso Rio  ·  17 de Junho de 2026  ·  14:42

Lula diz que nunca foi esquerdista em conversa com presidente do FMI no G7
Lula diz que nunca foi esquerdista em conversa com presidente do FMI no G7

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (17), durante a cúpula do G7, na França, que nunca se considerou um político de esquerda. A declaração foi feita em uma conversa informal com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão Friedrich Merz. O diálogo foi captado pela transmissão oficial do evento e repercutiu nas redes sociais.

Ao comentar as transformações no cenário político internacional, Lula defendeu que a maior parte dos governos não se enquadra em posições ideológicas extremas. Segundo o presidente, o mundo é guiado por posições moderadas e de centro.

Lula defende o “caminho do meio”

Durante a conversa, Kristalina Georgieva lembrou que, quando Lula venceu sua primeira eleição presidencial, havia expectativa internacional de que ele adotasse uma postura mais alinhada à esquerda. Em resposta, o presidente destacou sua origem sindical e negou essa classificação.

“O mundo não é de esquerda, o mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade. Eu nunca fui esquerdista, eu era um dirigente sindical, que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma relação boa com a UGT da Espanha”, disse Lula.

A fala ocorreu enquanto os líderes discutiam o ambiente político global e os desafios enfrentados pelas democracias contemporâneas.

Episódio na União Soviética

Na sequência da conversa, Lula relembrou um episódio ocorrido em 1980, quando foi convidado para participar de um congresso na então União Soviética. Segundo ele, a viagem não aconteceu devido à sua condenação com base na Lei de Segurança Nacional durante o período da ditadura militar.

“Eu nunca fui. Em 1980 tinha um congresso na Rússia que eu fui convidado, eu não fui à Rússia porque fui condenado pela Lei de Segurança Nacional. Eu fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade e aí passei a ser tratado como anticomunista”, afirmou.

O presidente utilizou o episódio para reforçar sua avaliação sobre como sua trajetória política foi interpretada ao longo das décadas.

Defesa das urnas eletrônicas

Antes de comentar seu posicionamento político, Lula também abordou o sistema eleitoral brasileiro. O presidente elogiou o modelo de urnas eletrônicas utilizado no país e destacou a complexa logística necessária para levar os equipamentos a regiões remotas do território nacional.

Durante a conversa, ele defendeu que a experiência brasileira poderia servir de referência internacional e sugeriu uma atuação mais ampla da Organização das Nações Unidas (ONU) na disseminação desse modelo.

“Não sei por que a ONU não adota o sistema eletrônico como orientação aos países”, declarou.

A participação de Lula na cúpula do G7 ocorre em meio a uma agenda voltada para debates sobre economia global, governança internacional, transição energética e fortalecimento das instituições democráticas.

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