A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a decisão que anulou a condenação do ex-governador do Rio de Janeiro e ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, Anthony Garotinho, no âmbito da Operação Chequinho. O julgamento foi concluído em sessão virtual e terminou com placar de quatro votos a um, rejeitando recurso apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Com a decisão, foi preservado o entendimento do ministro Cristiano Zanin, relator do caso, que havia reconhecido a nulidade das provas utilizadas para fundamentar a condenação na Justiça Eleitoral. Segundo o magistrado, os elementos probatórios foram obtidos de forma irregular a partir de computadores pertencentes à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos dos Goytacazes.
Entenda o caso da Operação Chequinho
A Operação Chequinho investigou supostas irregularidades relacionadas ao programa social Cheque Cidadão durante o período eleitoral de 2016 em Campos dos Goytacazes. As investigações apuraram a possível utilização do benefício social para obtenção de vantagens eleitorais.
Em decisões anteriores da Justiça Eleitoral, Anthony Garotinho havia sido condenado por crimes como corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento público e coação no curso do processo. A condenação produzia efeitos políticos relevantes, incluindo a inelegibilidade do ex-governador.
No entanto, a defesa sustentou que parte das provas utilizadas para embasar as condenações teria sido obtida sem observância das garantias constitucionais previstas para a produção de provas em investigações criminais.
Recurso da PGR foi rejeitado pela maioria dos ministros
Segundo informações divulgadas pelo STF, a Procuradoria-Geral Eleitoral, órgão vinculado à PGR, recorreu da decisão proferida por Cristiano Zanin. O argumento apresentado pelo Ministério Público foi de que a decisão contrariaria entendimentos anteriormente adotados pela própria Corte em casos semelhantes.
Apesar da contestação, a maioria dos ministros da 2ª Turma acompanhou o relator. Votaram pela manutenção da anulação os ministros Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Nunes Marques.
O ministro Luiz Fux abriu divergência e votou pelo acolhimento do recurso da Procuradoria-Geral da República, defendendo a reversão da decisão que anulou a condenação.
De acordo com os registros do julgamento, os efeitos da decisão não ficaram restritos apenas ao caso de Anthony Garotinho. A 2ª Turma também estendeu o entendimento a outras condenações vinculadas ao mesmo conjunto probatório analisado no processo.
Especialistas em Direito costumam destacar que decisões dessa natureza não representam necessariamente um reconhecimento de inocência ou culpa dos investigados, mas sim uma análise sobre a legalidade das provas utilizadas na persecução penal. O entendimento aplicado pela Corte está relacionado ao princípio constitucional que impede a utilização de provas consideradas ilícitas.
A decisão do STF encerra mais um capítulo de uma das ações judiciais de maior repercussão política da história recente de Campos dos Goytacazes. O caso influenciou diretamente o cenário eleitoral do município ao longo da última década e esteve presente em diversos debates políticos locais.
Segundo a apuração disponível até o momento, a manutenção da decisão fortalece a posição jurídica da defesa e reduz os efeitos decorrentes da condenação anulada. Eventuais desdobramentos futuros dependerão da existência de outros processos, recursos ou decisões judiciais independentes relacionados ao ex-governador.
Até o momento, o STF confirmou o entendimento de que as provas analisadas no caso específico da Operação Chequinho não poderiam sustentar as condenações anteriormente impostas, mantendo válida a decisão individual posteriormente referendada pela maioria da 2ª Turma da Corte.

