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MPF denuncia fazendeiros por contaminação de rio com agrotóxicos e destruição de sítio arqueológico em Rondônia

Por Expresso Rio  ·  07 de Junho de 2026  ·  02:39

MPF denuncia fazendeiros por contaminação de rio com agrotóxicos e destruição de sítio arqueológico em Rondônia

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou produtores rurais de Rondônia por supostos crimes ambientais e danos ao patrimônio histórico após investigações apontarem a abertura irregular de valas de drenagem em áreas protegidas. Segundo a denúncia, as intervenções teriam provocado o escoamento de água contaminada por agrotóxicos para um rio da região, além de causar impactos em um sítio arqueológico ligado ao povo indígena Puruborá.

De acordo com o MPF, os produtores abriram canais artificiais de drenagem sem autorização ambiental dentro de áreas utilizadas para atividades agrícolas. As estruturas teriam sido construídas em Áreas de Preservação Permanente (APPs), permitindo que resíduos provenientes das lavouras fossem direcionados para o curso d’água.

A investigação aponta que a alteração do ambiente natural favoreceu o transporte de substâncias potencialmente nocivas ao rio, levantando preocupações sobre possíveis impactos ambientais e riscos à biodiversidade local.

Além das acusações relacionadas à contaminação ambiental, a denúncia também descreve danos ao Sítio Arqueológico Puruborá, considerado um importante registro histórico e cultural da região.

Durante vistoria técnica realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), especialistas identificaram fragmentos de cerâmicas ancestrais destruídos por máquinas agrícolas e pelo manejo intensivo do solo. Segundo os relatórios, parte dos vestígios arqueológicos teria sido comprometida pela utilização de tratores e equipamentos pesados.

Os materiais encontrados no local representam importantes evidências da ocupação histórica da região por populações indígenas e são protegidos pela legislação brasileira de preservação do patrimônio cultural.

O caso ocorre em uma área associada ao povo indígena Puruborá, que há anos busca o reconhecimento e a demarcação de seu território tradicional.

O processo de demarcação enfrenta resistência de produtores rurais e já foi marcado por disputas fundiárias, tensões e episódios de conflito. Organizações indígenas e entidades de defesa dos direitos humanos acompanham a situação e defendem a proteção do território e do patrimônio cultural existente na região.

Com a denúncia apresentada, caberá agora à Justiça Federal analisar os elementos reunidos pelo Ministério Público Federal e decidir se os acusados se tornarão réus na ação penal.

Caso a denúncia seja aceita, os investigados poderão responder pelos crimes apontados pelo MPF, respeitando-se o direito à ampla defesa e ao contraditório durante todo o processo judicial.

O caso também poderá gerar novos desdobramentos nas áreas ambiental, patrimonial e fundiária, especialmente em razão da discussão envolvendo a preservação do patrimônio arqueológico e os direitos territoriais do povo Puruborá.

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