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Vídeo de Henry e Monique emociona jurados e se torna peça-chave para perdão judicial concedido à mãe

Um vídeo mostrando momentos de carinho entre Monique Medeiros e seu filho, Henry Borel, tornou-se uma das principais estratégias da defesa durante o julgamento que resultou no perdão judicial concedido à mãe do menino. Exibido nos momentos finais do Tribunal do Júri, o material buscou desconstruir a tese apresentada pela acusação de que Monique mantinha uma relação distante e indiferente com a criança.

As imagens foram apresentadas aos jurados durante a sustentação final dos advogados de defesa e acabaram se transformando em um dos momentos mais marcantes e emocionantes do julgamento, que mobilizou a atenção nacional ao longo de onze dias.

Defesa utilizou vídeo para demonstrar vínculo afetivo

Com pouco mais de dois minutos de duração, o vídeo reunia registros familiares feitos antes da morte de Henry Borel. Nas cenas, Monique aparece brincando, conversando e demonstrando afeto pelo filho em diferentes situações do cotidiano.

Em uma das gravações exibidas no plenário, a mãe pergunta ao menino se ele sabia que era amado. Em outro momento, questiona quem seria a melhor mãe do mundo, recebendo de Henry uma resposta que apontava para ela.

Segundo a defesa, as imagens demonstrariam a existência de uma relação afetiva sólida entre mãe e filho, contrariando a narrativa construída durante a investigação e ao longo do processo judicial.

Livro preferido de Henry também foi citado

Outro trecho utilizado pelos advogados mostrou Monique lendo para Henry o livro infantil “Árvore de Sapato”, apontado pela defesa como uma das obras favoritas da criança.

De acordo com a advogada Florence Rosa, a ligação emocional entre ambos era tão forte que Monique teria lido a mesma história durante o velório do filho, antes do sepultamento.

A referência foi utilizada para reforçar a tese de que a ré exercia papel ativo nos cuidados e na convivência com a criança.

Emoção marcou reta final do julgamento

Durante a exibição do vídeo, Monique Medeiros se emocionou diante dos jurados.

Sentada ao lado da equipe de defesa, ela acompanhou as imagens chorando e, em determinado momento, abraçou uma das advogadas enquanto demonstrava forte abalo emocional.

O material audiovisual foi exibido ao som de músicas de apelo sentimental, incluindo “Era Uma Vez”, de Kell Smith, “Fico Assim Sem Você”, popularizada por Adriana Calcanhotto, “Trem Bala”, de Ana Vilela, além do louvor “Que Amor É Esse”.

Camiseta com mensagem reforçou estratégia da defesa

A defesa também apostou em elementos visuais para fortalecer a narrativa apresentada aos jurados.

No último dia do julgamento, o advogado Hugo Novais abriu a toga durante sua sustentação e revelou uma camiseta estampada com fotografias de Monique e Henry.

A peça trazia a frase “Sou testemunha do amor entre mãe e filho” e foi utilizada por familiares da ré que acompanhavam a sessão do Tribunal do Júri.

Segundo os advogados, a intenção era reforçar a percepção de que existia uma relação afetiva consistente entre mãe e filho, aspecto considerado central na estratégia defensiva.

Após onze dias de julgamento, o Conselho de Sentença decidiu desclassificar a acusação contra Monique Medeiros para homicídio culposo.

Na sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial à ré, extinguindo a pena que poderia ser aplicada ao caso.

Já o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, foi condenado a mais de 43 anos de prisão pelos crimes relacionados à morte de Henry Borel.

A decisão encerra uma das fases mais importantes de um dos casos criminais que mais repercutiram no país nos últimos anos, embora ainda possa gerar novos debates jurídicos e repercussões no meio judicial.