A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou nesta sexta-feira (29) um relatório que conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar em 1976. A decisão contesta a versão oficial mantida durante décadas de que JK teria morrido em um acidente automobilístico na Via Dutra, entre São Paulo e Rio de Janeiro.
A conclusão foi aprovada por seis votos favoráveis e uma abstenção durante reunião realizada na sede da Procuradoria Regional da República da 3ª Região. O documento representa um novo capítulo em um dos episódios mais debatidos da história política brasileira.
Relatora do caso, a professora Maria Cecília Adão afirmou que a investigação identificou elementos que sustentam a hipótese de um atentado político contra o ex-presidente.
Segundo informações apresentadas pela comissão, um encontro entre JK e emissários do então presidente Ernesto Geisel teria influenciado a decisão do ex-presidente de realizar a viagem de carro, em vez de utilizar transporte aéreo.
De acordo com a relatora, a reunião teria servido como parte de uma estratégia para atrair Juscelino Kubitschek ao local. O relatório também levanta a possibilidade de que o motorista do ex-presidente tenha sido sedado e que o veículo utilizado na viagem tenha sofrido alterações mecânicas.
Desde 1976, a versão oficial registrava que Juscelino Kubitschek morreu em decorrência de um acidente automobilístico na Via Dutra. No entanto, ao longo dos anos, familiares, pesquisadores e especialistas passaram a questionar as circunstâncias do episódio.
O novo relatório da CEMDP reúne análises, documentos e informações que, segundo a comissão, reforçam a tese de que a morte do ex-presidente pode ter ocorrido em um contexto de perseguição política durante o regime militar.
Juscelino Kubitschek governou o Brasil entre 1956 e 1961 e ficou marcado por projetos de desenvolvimento econômico e pela construção de Brasília, atual capital federal.
Após o golpe militar de 1964, JK passou a enfrentar restrições políticas impostas pelo regime. Sua trajetória continua sendo objeto de estudos e debates sobre a história recente do país.
A conclusão da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos não possui efeito criminal automático, mas reforça o debate sobre a reavaliação de fatos históricos relacionados ao período da ditadura militar.
Segundo a comissão, o relatório deverá integrar os registros oficiais sobre o caso e poderá servir de base para futuras análises históricas e institucionais envolvendo a morte de Juscelino Kubitschek.
As conclusões apresentadas pela CEMDP reacendem uma discussão que atravessa décadas e que segue despertando interesse de pesquisadores, historiadores e da sociedade brasileira.
Informações: G1 e CNN Brasil.

