A discussão em torno da criação da CPI do Banco Master aumentou a tensão política na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e abriu uma nova disputa entre parlamentares do PL e do Psol. Durante sessão realizada nesta quarta-feira (27), o líder do PL na Casa, deputado Filippe Poubel, anunciou que o partido irá apresentar uma representação no Conselho de Ética contra a deputada Renata Souza (Psol) por suposta violência política de gênero contra a deputada Sarah Poncio (Solidariedade).
Além da representação, o PL informou que também pretende reivindicar a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj, atualmente presidida por Renata Souza. Segundo parlamentares da legenda, o episódio ocorrido no plenário teria gerado desgaste político suficiente para justificar a revisão da composição do colegiado.
Representação no Conselho de Ética amplia crise política
Ao comentar o caso, Filippe Poubel afirmou que o partido considera que Sarah Poncio foi exposta durante a discussão em plenário.
Segundo o parlamentar, o episódio precisa ser analisado pelo Conselho de Ética da Assembleia. “Imagina um homem virar para uma deputada e falar: ‘respeita seu homem’. Isso geraria uma repercussão enorme. O que aconteceu expôs a Sarah Poncio e todas as mulheres desta Casa”, declarou.
Poubel também afirmou que o PL pretende cobrar posicionamento das deputadas da Assembleia Legislativa sobre o caso.
“A Assembleia não pode agir com dois pesos e duas medidas”, disse o deputado ao defender a representação formal contra Renata Souza.
PL quer rever comando da Comissão da Mulher
Durante a sessão, o deputado Alexandre Knoploch afirmou que o partido também pretende solicitar a revisão da composição da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher com base no critério de proporcionalidade partidária.
Segundo o parlamentar, o episódio ocorrido no plenário teria impactado diretamente a permanência de Renata Souza à frente do colegiado.
“O PL também vai requisitar que seja cumprida a proporcionalidade da Comissão da Mulher, pois a deputada perdeu a condição de ficar à frente do colegiado”, afirmou.
A deputada Índia Armelau também comentou o episódio e criticou a condução da discussão em plenário.
“O que vi com a Sarah não se faz. Não vou admitir que isso aconteceu”, declarou.
Renata Souza nega acusação e fala em perseguição política
Ao responder às críticas, Renata Souza afirmou que vem sendo alvo de perseguição política e negou que a declaração feita durante a discussão tenha sido direcionada nominalmente à deputada Sarah Poncio.
“Todos nós somos testemunhas de que sou vítima de violência política de gênero. Inclusive, já levei isso à Justiça”, afirmou.
A parlamentar também declarou que a frase dita no plenário ocorreu em meio ao ambiente de tensão envolvendo a discussão sobre a CPI do Banco Master.
“Foi apenas uma fala pedindo respeito. Eu não citei o nome de ninguém”, disse.
Renata Souza também lamentou os desdobramentos políticos do episódio e afirmou que há uma tentativa de enfraquecer sua atuação parlamentar.
“É lamentável que isso gere uma tentativa de exclusão do meu trabalho. Já atendi mais de 700 mulheres. Não me orgulho que minha fala tenha atingido mulheres, mas esse expediente está sendo usado para perpetuar essa política contra mim”, declarou.
A deputada acrescentou ainda que pretende adotar medidas em resposta às acusações apresentadas pelos parlamentares do PL.
Sessão sobre CPI do Banco Master terminou em clima de tensão
O episódio ocorreu durante a discussão sobre a criação da CPI do Banco Master na Assembleia Legislativa do Rio.
Segundo relatos feitos em plenário, o deputado Rodrigo Amorim teria afirmado, fora do microfone, que Renata Souza teria um “fetiche” nele. Na sequência, a deputada respondeu da tribuna com uma fala direcionada ao parlamentar em referência à deputada Sarah Poncio, que estava ao lado dele durante a sessão.
O líder do Psol na Alerj, deputado Flávio Serafini, saiu em defesa de Renata Souza e criticou o uso político do episódio.
“O deputado Rodrigo Amorim ficou falando que tinha fetiche. Isso foi o início da confusão. Estão se apropriando de uma luta histórica das mulheres”, afirmou.
Serafini também declarou que a banalização do conceito de violência política de gênero pode enfraquecer debates relacionados à proteção das mulheres na política.
“Violência política de gênero se dá entre um homem contra uma mulher. Não entre pessoas do mesmo gênero. Fazer isso é jogar no lixo uma luta histórica construída ao longo de décadas”, declarou.
CPI do Banco Master aumenta pressão política na Alerj
A discussão sobre a CPI do Banco Master vem ampliando o clima de tensão entre parlamentares da oposição e da base política na Alerj.
Nos bastidores da Assembleia Legislativa do Rio, deputados já admitem que o episódio envolvendo Renata Souza, Sarah Poncio e parlamentares do PL pode aprofundar a disputa política dentro das comissões permanentes da Casa nas próximas semanas.
Até o momento, a Mesa Diretora da Alerj não informou oficialmente se a representação no Conselho de Ética já foi protocolada.

