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Fim da escala 6×1: Tarcísio defende “cuidado com o empregador” em meio a mudanças no mercado de trabalho

multa da Fast Shop
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo

Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu que a proposta sobre o fim da escala 6×1 mantenha a jornada semanal de 44 horas para evitar impacto sobre empresas. A fala ocorreu nesta segunda-feira (18), durante a abertura da APAS Show, feira do setor de supermercados, diante de uma plateia de empresários.

A proposta em discussão no Congresso prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, com duas folgas remuneradas. O governador de São Paulo, porém, afirmou que “trabalhador e empreendedor funcionam juntos” e que “não adianta achar que vai cuidar do trabalhador sem cuidar do empregador”.

A declaração desloca o centro de uma pauta trabalhista para a preocupação empresarial. A escala 6×1 virou símbolo de desgaste entre trabalhadores justamente por impor seis dias de atividade para apenas um de descanso, modelo que reduz tempo de convivência familiar, lazer e recuperação física.

Tarcísio também defendeu a desoneração de encargos trabalhistas como forma de “cuidar do empregador”. Segundo ele, há empresários que gostariam de pagar mais, mas não conseguem porque parte do dinheiro é consumida por encargos considerados pesados.

Tarcísio de Freitas, governador de SP, mais uma vez atacando o fim da 6×1 e falando em “cuidar do empresário”. Não cuida nem do próprio estado. Não sabe o que é trabalhar e quer manter o trabalhador explorado. Mais um que merece o esgoto da história. pic.twitter.com/BPiM8kvI0B

— Rick Azevedo (@rickazzevedo) May 18, 2026

O governador afirmou ainda que a redução da jornada poderia levar trabalhadores a perderem o tempo livre fazendo “bico” para complementar renda. O argumento, porém, reforça a crítica de que o debate não pode ser tratado apenas como custo para empresas, já que a renda baixa e a sobrecarga de trabalho são justamente parte do problema que impulsionou a proposta.

Geraldo Alckmin (PSB) e Ricardo Nunes (MDB) também participaram do evento. O vice-presidente disse que o governo buscará entendimento entre trabalhadores e setor produtivo, enquanto o prefeito de São Paulo afirmou ter ouvido preocupação de lideranças empresariais e defendeu amadurecimento da proposta.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que caberá ao Legislativo definir se haverá período de transição ou aplicação imediata da mudança. Na Câmara, a expectativa é que a PEC da escala 6×1 seja votada na comissão especial em 26 de maio e levada ao plenário no dia seguinte.