Uma cena inusitada exibida na televisão argentina rapidamente se espalhou pelas redes sociais. Durante um programa ao vivo do canal La Nación+, uma repórter alinhada ao governo de Javier Milei experimentou carne de burro diante das câmeras e teve dificuldade para disfarçar a reação.
Logo após levar o alimento à boca, a jornalista demonstrou incômodo ao mastigar, visivelmente desconfortável com a textura rígida da carne. Mesmo assim, tentou manter uma postura positiva durante a transmissão, enquanto fazia esforço para engolir o pedaço servido.
Cena ao vivo expõe desconforto e gera repercussão
Hicieron comer carne de burro a la notera de La Nación. El intento fallido por morder la carne toda dura. La cara de asco. Los gestos que hace mientras dice “uy sí qué rico”. Todo es increíblepic.twitter.com/rhJtNdof8v
— Arrepentidos de Milei (@ArrepentidosLLA) April 18, 2026
O episódio aconteceu durante um debate sobre alternativas alimentares diante do aumento expressivo no preço da carne bovina no país. Enquanto a repórter enfrentava dificuldades, colegas no estúdio reforçavam o discurso favorável ao consumo, com comentários entusiasmados.
Frases como “eu entro nessa como um louco”, “quem já provou diz que é muito bom” e “eu topo, não tenho nenhum problema” foram ditas ao vivo, em uma tentativa de normalizar o consumo da carne alternativa.
A cena, no entanto, acabou ganhando outro tom nas redes sociais, onde usuários destacaram o contraste entre o discurso otimista e a reação corporal da repórter.
Alta da carne bovina impulsiona alternativas
O contexto econômico ajuda a explicar a pauta. O preço do boi gordo na Argentina segue em forte alta. Segundo dados do Cepea, a arroba registrou aumento de 26,5% no ano, atingindo US$ 73,58 acima do recorde anterior de abril de 2022.
Com isso, produtores passaram a incentivar o consumo de carnes alternativas, incluindo a de burro, como forma de driblar os custos elevados e ampliar o acesso da população a proteínas.
Entre os defensores da ideia está o pecuarista Julio Cittadini, que já comercializa cortes semelhantes aos bovinos por cerca de 7.500 pesos o quilo (aproximadamente R$ 45).
Segundo ele, a proposta tem avançado principalmente em regiões com limitações para a pecuária tradicional, como a Patagônia, onde a criação de animais mais resistentes se torna uma alternativa viável.
O governo argentino também passou a apoiar a iniciativa. O Ministério da Produção aderiu à proposta e sinalizou que pretende ampliar o controle sanitário da atividade. Ainda de acordo com Cittadini, a procura pelo produto superou as expectativas iniciais.
