O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira o nome de Daniel Perez para ocupar o cargo de embaixador norte-americano no Brasil. A indicação foi aprovada por 51 votos a 47, em uma votação realizada em meio ao agravamento das relações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Sem experiência diplomática, Perez é ligado ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e passou a ocupar posição central na nova crise entre Washington e Brasília. A aprovação deverá ser seguida por uma solicitação formal para que o governo brasileiro conceda o aval necessário à sua nomeação.
A decisão aumenta a pressão sobre o governo Lula. A Casa Branca já havia sinalizado que poderia adotar novas medidas contra o Brasil caso Brasília mantivesse suspenso o processo de aceitação do indicado norte-americano.
Votação ocorreu em meio a manobras no Congresso americano
A aprovação de Perez ocorreu dentro de uma estratégia utilizada pelo Congresso dos EUA para evitar objeções individuais durante a votação. Seu nome foi colocado ao lado de mais de 70 outros indicados para postos diplomáticos e cargos no governo.
Com a medida, os senadores precisavam aprovar ou rejeitar os nomes em conjunto. O procedimento facilitou a aprovação de Perez e reduziu a possibilidade de uma votação isolada sobre sua indicação.
A escolha também gerou questionamentos em Brasília. O governo brasileiro havia indicado que só decidiria sobre a aceitação do diplomata depois das eleições. A posição provocou reação da administração Trump, que
Segundo as informações divulgadas, os direitos de Viotti poderiam ser restabelecidos caso o Brasil acelerasse a aprovação do indicado. O governo Lula, porém, recusou-se a ceder à pressão e argumentou que não faria sentido antecipar uma decisão antes mesmo da análise do nome pelo Senado americano.
Perez é próximo de aliados da família Bolsonaro
Nascido em Miami e de origem cubana, Daniel Perez ganhou projeção também por suas manifestações políticas nas redes sociais. Ele já demonstrou apoio a pautas defendidas pela direita americana, à política de deportações em massa do governo Trump e ao trabalho do serviço de imigração dos EUA, o ICE.
O indicado também é aliado do senador republicano Rick Scott, que mantém relações próximas com integrantes da família Bolsonaro. Scott abriu espaço para demandas relacionadas à aplicação de sanções contra o Brasil e já esteve com Jair Bolsonaro.
Mais recentemente, o senador americano classificou o julgamento do ex-presidente brasileiro como uma “caça às bruxas” e fez críticas ao governo Lula. “É evidente que é, e basta ver o que está acontecendo com a liberdade de expressão no Brasil para ficar realmente assustado”, afirmou Scott.
A ausência de experiência diplomática também chama atenção. Tradicionalmente, os Estados Unidos costumam indicar nomes de maior trajetória internacional para representar o país em economias consideradas estratégicas, como o Brasil.




