Segunda rodada de bolsas do Startup Campos garante avanços em inovação

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Segunda rodada de bolsas do Startup Campos garante avanços em inovação

As startups Iotrax e Colpo Scanner foram contempladas com a segunda Bolsa de Desenvolvimento Tecnológico, a Bolsa Empreendedor 2, prevista no edital do Programa Municipal de Apoio a Startups (Startup Campos), da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct). A seleção reconhece o avanço das duas iniciativas, escolhidas na edição de 2025 do programa, e reforça o papel da incubação como porta de entrada para soluções tecnológicas inovadoras criadas em Campos dos Goytacazes.

Segundo a gerente de Programas, Projetos e Parcerias da Subsecretaria de Ciência e Tecnologia, Adriana Crespo, a concessão da segunda bolsa ocorre ao final da Fase 1, no sexto mês, para os dois projetos que mais evoluem tecnologicamente. No caso da Iotrax, o avanço levou a startup a atingir nível de maturidade TRL/MRL 8, estágio em que a tecnologia já foi testada e qualificada em ambiente real. A Colpo Scanner chegou ao TRL/MRL 7, com protótipo validado em ambiente operacional.

No caso da Iotrax, o projeto nasceu da observação de demandas concretas da indústria e da experiência acumulada pela equipe com tecnologias de Internet das Coisas. O diretor de tecnologia, Marcos José Rangel, explica que o problema identificado está na dificuldade de integrar dados de equipamentos que continuam em operação, mesmo quando já são antigos. “A Iotrax nasceu a partir de demandas reais da própria indústria”, afirmou. “Identificamos desafios recorrentes na integração de dados industriais e isso motivou o desenvolvimento da solução”.

A proposta da empresa é funcionar como uma ponte entre máquinas legadas e plataformas digitais, coletando informações diretamente dos equipamentos e organizando esses dados para uso em monitoramento e tomada de decisão em tempo real. Marcos destaca que a segunda bolsa vai acelerar esse processo. “A segunda bolsa vai permitir que a equipe se dedique ainda mais ao desenvolvimento do produto, impulsionando assim as nossas ações em inovação tecnológica”, disse. Segundo ele, o próximo passo também inclui a instalação de projetos piloto com empresas interessadas, sobretudo nos setores de saneamento, óleo e gás, energia, manufatura e agronegócio.

A Colpo Scanner segue uma trilha diferente, mas com a mesma lógica de resolver um gargalo real. A startup foi criada para enfrentar a dificuldade de acesso ao diagnóstico precoce do câncer do colo do útero, especialmente em regiões com pouca estrutura e escassez de especialistas. Jéssica Rodrigues, cofundadora da empresa ao lado de Cristiano Salles Rodrigues, resume a origem do projeto em uma necessidade percebida no atendimento cotidiano. “A Colpo Scanner surgiu a partir de uma necessidade real observada na prática médica”, afirmou. “A proposta foi desenvolver uma solução acessível para democratizar esse acesso e reduzir desigualdades no cuidado em saúde da mulher”.

A tecnologia atua como apoio à colposcopia, usando inteligência artificial para analisar imagens cervicais e apontar padrões que podem sugerir lesões. Jéssica afirma que a solução ajuda a dar mais precisão, padronização e agilidade ao processo diagnóstico. “Seguimos avançando com base em evidência científica e no uso da inteligência artificial como aliada no apoio diagnóstico”, disse. Ela também informou que a startup já conta com uma lista ativa de mais de 280 profissionais de saúde interessados na ferramenta, sinal de que a demanda já aparece antes mesmo da entrada plena no mercado.

Os próximos passos da Colpo Scanner incluem ampliar a validação clínica com instituições parceiras, fortalecer os algoritmos com dados reais e estruturar a expansão da tecnologia para diferentes contextos de atendimento. Jéssica afirma que a solução foi pensada para clínicas, hospitais e, principalmente, para a rede pública, com potencial de uso na atenção primária e integração com o SUS e com redes privadas. Ela acrescenta que o aplicativo está na fase final para chegar às lojas Android e iOS ainda neste mês, movimento que deve marcar a entrada da empresa em uma etapa mais ampla de uso.

A Colpo Scanner registra R$ 180 mil em aportes voltados ao desenvolvimento da solução. A Iotrax também aparece como a startup com o maior volume de investimentos em inovação entre as participantes desta edição, somando R$ 938 mil. Os números ajudam a mostrar que as duas empresas já saíram da fase de ideia e avançaram para um patamar de validação mais consistente.

Com a nova rodada de bolsas, Iotrax e Colpo Scanner passam a simbolizar duas frentes estratégicas da inovação local, uma voltada à indústria e outra à saúde. Para a Seduct, os resultados confirmam o objetivo do programa de apoiar projetos capazes de transformar validação tecnológica em aplicação prática. Em comum, as duas startups mostram que soluções nascidas no ecossistema municipal podem avançar com base em problema real, teste em ambiente de uso e perspectiva concreta de mercado.

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