Rio marca 30 anos de El Dorado dos Carajás com atos, pressão por terras e mobilização do MST

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Imagem: Reprodução

O estado do Rio de Janeiro entrou na agenda nacional de mobilizações pelos 30 anos do massacre de El Dorado dos Carajás, relembrado nesta sexta-feira (17) como um marco histórico da luta por reforma agrária no Brasil. A data, que remete ao episódio ocorrido em 1996 no Pará, passou a integrar oficialmente o calendário fluminense com a criação da Semana de Luta pela Reforma Agrária e de Promoção da Cultura da Paz e Resolução de Conflitos.

A iniciativa foi proposta pela deputada estadual Marina do MST (PT) e tem como principal objetivo preservar a memória do massacre, ao mesmo tempo em que fortalece o debate sobre políticas públicas voltadas ao campo. A proposta também amplia a discussão sobre mediação de conflitos agrários e incentiva ações institucionais para reduzir a violência no meio rural.

Ao longo da semana, movimentos sociais intensificaram atividades em diversas regiões do estado. Um dos principais atos ocorreu na quarta-feira (15), quando cerca de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se concentraram na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no centro do Rio, para apresentar reivindicações e cobrar avanços na pauta agrária.

A institucionalização da data no calendário estadual reforça o compromisso de manter viva a memória do massacre, que deixou 21 trabalhadores rurais mortos durante uma operação policial no Pará. Para a autora da lei, a proposta vai além do simbolismo e busca consolidar um espaço permanente de debate sobre a questão fundiária.

Segundo Marina do MST, a legislação tem como foco resgatar a trajetória da luta pela terra no Brasil e no estado do Rio de Janeiro, além de dar visibilidade à violência enfrentada por trabalhadores rurais e urbanos. A medida também pretende fortalecer iniciativas de mediação de conflitos, garantindo o direito à manifestação e ampliando o acesso à terra.

Paralelamente às ações de memória, o período também tem servido para intensificar a articulação por políticas públicas. Entre os pontos defendidos pelos movimentos estão o incentivo à agricultura familiar e o fortalecimento da segurança alimentar, considerados estratégicos para o desenvolvimento rural.

Dentro da agenda do chamado Abril Vermelho, o MST apresentou ao Incra uma pauta com reivindicações consideradas prioritárias. Entre elas está a desapropriação de áreas para a criação de um assentamento destinado a 376 famílias do Acampamento 15 de Abril, localizado em Campos dos Goytacazes, que aguardam uma solução há cerca de dois anos.

Outro ponto levantado pelo movimento envolve a destinação de terras ligadas a grandes devedores da União para fins de reforma agrária, além da ampliação de investimentos em infraestrutura nos assentamentos já existentes.

Atualmente, o estado do Rio de Janeiro conta com cerca de 1.600 famílias organizadas pelo MST, distribuídas em 20 assentamentos e um acampamento. Esse cenário mantém a reforma agrária como um dos temas centrais das mobilizações no campo, especialmente em datas simbólicas como o aniversário do massacre de El Dorado dos Carajás, que segue mobilizando diferentes setores da sociedade.

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