Um procurador municipal de São Luís, no Maranhão, entrou no centro de uma investigação após contrair um empréstimo de R$ 93,7 milhões com uma empresa de crédito ligada à Reag para adquirir ações do BRB. O caso levanta suspeitas sobre uma possível tentativa de assumir o controle acionário da instituição de forma indireta.
De acordo com apuração conduzida pela Kroll, contratada pelo banco, o procurador Daniel de Faria Jerônimo Leite teria atuado como peça intermediária em uma operação articulada por Daniel Vorcaro, Maurício Quadrado e João Carlos Mansur. A investigação aponta que a estratégia envolveria a aquisição disfarçada de participação no banco para, posteriormente, viabilizar a venda de carteiras de crédito consideradas de alto risco.
Investigação aponta operação financeira sem lastro real
O relatório da Kroll indica que Leite teria sido utilizado como “figura instrumental” na movimentação financeira. Segundo o documento, houve o que foi classificado como “circularidade de recursos”, quando o dinheiro obtido por meio do empréstimo retornaria ao próprio sistema financeiro ligado à operação, sem gerar valor econômico efetivo.
Na prática, isso significaria que os recursos teriam sido utilizados apenas para mascarar os verdadeiros beneficiários da transação, dificultando a identificação dos responsáveis finais pelo investimento nas ações do banco.
Divergência sobre patrimônio chama atenção
Outro ponto que chamou atenção foi a capacidade financeira do procurador para realizar a operação. O BRB informou que Leite declarou ao Banco Central renda mensal de R$ 35 mil e patrimônio de aproximadamente R$ 6 milhões valores considerados incompatíveis com um investimento de quase R$ 100 milhões.
Em resposta, o procurador contestou as informações e afirmou que os dados estão incorretos. Segundo ele, sua renda mensal chega a R$ 579 mil, com patrimônio estimado em R$ 75 milhões. Leite também destacou que atua como produtor rural, é conselheiro federal da OAB e sócio-fundador de um escritório de advocacia.
Justiça determina bloqueio de ações
Diante das suspeitas, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios determinou o bloqueio das ações do BRB vinculadas aos investigados. À época da decisão, Leite possuía cerca de R$ 50 milhões em papéis do banco.
A medida visa impedir a movimentação dos ativos enquanto o caso segue em apuração. A investigação busca esclarecer se houve tentativa de manipulação societária e ocultação de beneficiários na estrutura financeira montada para aquisição das ações.
