Práticas Integrativas e Complementares na Saúde Pública instituídas em Campos

Expresso Rio
3 min de leitura
Práticas Integrativas e Complementares na Saúde Pública instituídas em Campos

Médicos e enfermeiros de Campos começaram uma abordagem para um ciclo de capacitação nesta segunda-feira (13), para implantação de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics) nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O encontro aconteceu no auditório da Prefeitura e a expectativa é que, a partir do mês de junho deste ano, os pacientes sejam cuidados de forma integral e associativa aos tratamentos médicos e multidisciplinares convencionais.

O curso acontecerá em outras três datas até o mês de maio. A abordagem da temática foi apresentada pelo coordenador das Práticas Integrativas e Complementares da Prefeitura de Campos, Yury Novarino. “Estamos apresentando o projeto de práticas integrativas, identificando os profissionais habilitados e o formato em que funcionará na rede pública. Inicialmente vamos implantar as práticas de auriculoterapia, que é a base da medicina tradicional chinesa, a fitoterapia brasileira para prescrição de chás e manipulados e a educação comunitária em saúde”, explicou Novarino.

O público interagiu em dinâmicas. A médica Flávia Batista está na expectativa de utilizar as práticas na UBSF de Venda Nova, onde trabalha. “Temos um terreno grande na nossa UBSF e já estou visualizando a criação de uma horta comunitária para o cultivo dos fitoterápicos para agregar à saúde do nosso paciente”, comemorou Flávia.

As Pics são regulamentadas pelo Ministério da Saúde desde 2006, complementando a medicina convencional com foco no cuidado integral do indivíduo com base em evidências científicas. Elas funcionam em aproximadamente 90 municípios do Brasil e, no estado do Rio, é capitaneada por Angra dos Reis. Na prática, as Pics agregam em fatores crônicos de saúde como fibromialgia, hipertensão, diabetes, câncer, irritabilidade, angústia, violência, tentativa de suicídio e também na saúde mental, em diagnósticos como autismo e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), entre outros.

“Estudos mostram uma interação importante sobre como os aspectos mentais, psíquicos e traumas emocionais repercutem negativamente na condição de saúde hormonal, física e mental do paciente. E onde a medicalização não consegue alcançar. As práticas fazem o mapeamento entre a psiqué do impacto traumático e como isso se manifesta no campo físico”, explicou Novarino.

A diretora de Linhas de Cuidados da Atenção Primária à Saúde, Ana Beatriz Mayerhofer, destacou o impacto positivo a curto prazo. “Estamos implantando esta ação de forma eficaz, ampla e holística, considerando a diversidade cultural e os saberes da população, gerando prevenção e promoção de saúde. Isto pode desafogar as agendas dos enfermeiros e dos médicos, sendo mais um braço da assistência que vai gerar autonomia ao paciente. As práticas integrativas são um olhar diferenciado e podem ser aplicadas em todos os momentos da vida, desde crianças, adultos e idosos”, disse a diretora.

Partilhar este artigo
Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *