A Polícia Federal avançou parcialmente na análise dos dispositivos eletrônicos apreendidos com o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master. Até agora, os investigadores conseguiram acessar apenas parte do conteúdo de um único celular, enquanto outros sete aparelhos seguem sem perícia completa, o que ainda limita o alcance das investigações em curso.
De acordo com informações divulgadas neste sábado (19), cerca de dois terços dos dados presentes em um dos celulares apreendido durante a primeira prisão do empresário, em 17 de novembro já foram analisados. Apesar do progresso, a maior parte dos dispositivos recolhidos permanece inacessível, principalmente devido à dificuldade de desbloqueio.
Acesso limitado trava avanço da investigação
A impossibilidade de acessar integralmente os aparelhos tem sido um dos principais obstáculos enfrentados pelos investigadores. Sem as senhas, parte relevante das informações continua protegida, o que impede uma visão completa das movimentações e contatos do empresário.
Nos bastidores, a expectativa é de que um possível acordo de delação premiada possa mudar esse cenário. Caso a negociação avance, a Polícia Federal poderá exigir que Vorcaro forneça as credenciais de acesso aos dispositivos ainda bloqueados, o que permitiria ampliar significativamente o volume de dados analisados.
Conteúdo já revela indícios de articulações
Mesmo com acesso parcial, o material extraído até o momento já trouxe elementos considerados relevantes pela investigação. Entre os registros analisados, foram identificadas conversas que indicam articulações envolvendo autoridades e negociações de alto valor.
Um dos pontos que chamou atenção foi a suposta proximidade entre Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Diálogos encontrados no aparelho fazem referência, inclusive, à visita antecipada a um apartamento em São Paulo, interpretada pelos investigadores como parte de tratativas possivelmente relacionadas a benefícios.
Imóveis de alto padrão entram no radar
Outro aspecto que surge a partir dos dados analisados envolve negociações com imóveis de alto padrão. Segundo a apuração, esses ativos podem ter sido utilizados como forma de pagamento em operações financeiras ligadas ao banco Master.
A investigação aponta movimentações consideradas relevantes e levanta a hipótese de que tais bens tenham sido usados como vantagem indevida em acordos entre instituições. A análise aprofundada dos aparelhos ainda bloqueados é vista como essencial para confirmar ou descartar essa linha de apuração.
Próximos passos dependem de acesso total
A Polícia Federal considera a perícia digital uma etapa central para entender a extensão das suspeitas envolvendo o empresário. Com apenas parte das informações disponíveis, os investigadores seguem trabalhando com dados fragmentados.
O avanço da investigação, portanto, depende diretamente da liberação dos dispositivos ainda inacessíveis. Caso isso ocorra, a expectativa é de que novas evidências possam surgir, ampliando o escopo das apurações e trazendo maior clareza sobre as possíveis irregularidades em análise.
