Morte de agente leva GCM de SP a cercar favela em operação estilo BOPE

Agente da GCM de São Paulo. Foto: Vicent Bosson/Estadão

A morte da agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM) Sara Andrade dos Reis, de 34 anos, provocou uma forte intensificação das ações de segurança em comunidades da zona sul de São Paulo. Desde o crime, equipes da corporação passaram a atuar em um modelo de “saturação” em áreas como Jabaquara e Vila Santa Catarina, em uma operação que lembra as incursões realizadas pelo BOPE no Rio de Janeiro.

Sara foi morta na manhã do último domingo (19), vítima de latrocínio, na alça de acesso da Rodovia dos Imigrantes para o viaduto Matheus Torloni, na região da Água Funda. Segundo as informações, dois suspeitos em uma motocicleta teriam abordado a agente, levado sua arma e o celular e fugido logo após o ataque. No local, apenas o coldre foi encontrado ao lado do corpo.

Desde então, a GCM ampliou significativamente a presença em comunidades próximas ao local do crime. A corporação informou que o objetivo da ação é obter informações sobre os suspeitos, localizar a arma roubada e reforçar o combate à criminalidade na região.

A GCM Sara Andrade, assassinada em SP. Foto: reprodução

A operação mobilizou unidades especializadas, como a Ronda Ostensiva Municipal (Romu), a Inspetoria de Ações Táticas Especiais (Iate), o canil e a Inspetoria com Apoio de Motocicletas (Iamo). As equipes passaram a atuar em vielas e becos, com uso de armas longas e apoio de denúncias anônimas.

As incursões se concentram nas comunidades Alba, Vila Clara e Imprensa, todas localizadas nas proximidades de onde Sara foi baleada. Entre elas, a favela Alba tem recebido atenção especial das forças de segurança.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes confirmou uma incursão realizada na sexta-feira (24) na comunidade Alba. Em nota, a administração municipal informou que a ação teve foco na repressão de crimes e no combate ao tráfico de drogas.

“Durante a ação, um indivíduo foi conduzido ao 35º Distrito Policial para averiguação”, informou a prefeitura.

Moradores da região relataram aumento expressivo na circulação de equipes da GCM e também da Polícia Militar. Fontes da PM afirmaram que denúncias sobre possíveis suspeitos foram recebidas, embora nenhuma delas tenha sido confirmada até o momento.

O Ministério Público de São Paulo também foi questionado sobre o acompanhamento da operação e sobre a atuação da GCM em incursões dentro de comunidades. Em nota, a Promotoria afirmou que as ações estão dentro do escopo de fiscalização do órgão, responsável pelo controle externo da atividade policial.

Para especialistas em segurança pública, o reforço preventivo após um crime letal contra um agente pode ser considerado legítimo, desde que acompanhado por investigação.

Segundo Bruno Langeani, consultor sênior do Instituto Sou da Paz, a medida pode ter efeito dissuasório. “Passa uma mensagem ao crime de que atos de violência letal não serão tolerados”, afirmou.

No entanto, ele fez um alerta sobre os riscos de abuso. Segundo o especialista, operações dessa natureza precisam ser conduzidas com cautela para evitar violações contra moradores.

“O problema é quando isso está desacompanhado de investigação, que é o principal gargalo da perpetuação do crime de roubo com arma de fogo no país. Saturação e operação vingança são coisas bem diferentes”, destacou.

Sara morava em Diadema, no ABC Paulista, e seguia de motocicleta para a base da GCM no Jabaquara, onde atuava havia três anos.

No mesmo dia, cerca de três horas após o assassinato da agente, outro caso de latrocínio foi registrado na zona sul da capital: Luciano Teixeira dos Santos, de 46 anos, foi morto em Moema.

Partilhar este artigo
Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Exit mobile version