A proximidade do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que vai definir o modelo da eleição para o mandato-tampão no governo do Rio de Janeiro tem acelerado as articulações políticas nos bastidores da Assembleia Legislativa. Segundo reportagem do jornal O Globo, aliados do ex-prefeito Eduardo Paes e do deputado estadual Douglas Ruas intensificaram negociações para o comando da Alerj, cargo considerado estratégico no tabuleiro da sucessão estadual.
De um lado, o grupo ligado a Paes tenta construir uma frente unificada no campo da esquerda. Do outro, o PL, partido de Ruas, já desenha cenários alternativos, especialmente na hipótese de manutenção do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, como governador interino.
Esquerda busca unidade, mas enfrenta impasses
As conversas no campo progressista giram em torno da aproximação entre PSD e PSOL. O partido de Paes saiu fortalecido após a janela partidária, ampliando sua bancada e buscando agora consolidar um nome viável para disputar a presidência da Alerj.
A avaliação interna é que o grupo pode reunir cerca de 23 deputados com apoio de outras siglas, mas ainda precisa avançar para conquistar votos adicionais, sobretudo entre parlamentares do Centrão. Para garantir a eleição, são necessários 36 votos.
Nesse cenário, o apoio da bancada do PSOL é considerado decisivo. No entanto, a legenda mantém uma postura cautelosa e condiciona qualquer adesão a um alinhamento político mais amplo.
O presidente estadual do PSD, Pedro Paulo, defendeu a construção de uma candidatura capaz de unificar forças no campo da esquerda. “O partido está negociando uma candidatura que tenha expressividade na Casa. Defendemos a unidade dos partidos de esquerda porque temos um adversário em comum, que é o PL e toda a sua máfia.”
Apesar disso, o PSOL sinaliza que não abrirá mão de critérios políticos. A líder da bancada, Renata Souza, afirma que a legenda busca fortalecer um projeto alinhado ao governo federal. “A candidatura do PSOL é para contribuir com a unidade da esquerda e do campo progressista. Um nome que defenda o presidente Lula é o mais aceitável dentro do nosso partido.”
Entre os nomes cogitados, há resistência interna. Deputados do PSOL indicam que, entre as opções discutidas, Vitor Júnior é visto como o único com potencial de viabilizar apoio mais amplo, por manter interlocução com Paes.
Direita aposta em continuidade e articula Delaroli
No campo da direita, o cenário considerado mais provável influencia diretamente as estratégias. Caso o STF decida pela permanência de Ricardo Couto como governador interino, deputados ligados ao PL defendem a consolidação de Guilherme Delaroli na presidência da Alerj.
A proposta se apoia na ideia de continuidade administrativa. A avaliação é que Delaroli, já à frente da Casa após o afastamento de Rodrigo Bacellar, poderia garantir estabilidade na condução do Legislativo e evitar novos conflitos políticos.
Além disso, a permanência de Delaroli no comando da Assembleia permitiria que Douglas Ruas concentre esforços na disputa pelo governo estadual nas eleições de outubro.
Cenário aberto e disputa em curso
Com o julgamento do STF se aproximando, a disputa pela presidência da Alerj se torna cada vez mais central na definição dos rumos políticos do estado. A decisão da Corte pode redefinir o equilíbrio de forças e influenciar diretamente as alianças em construção.
Enquanto a esquerda tenta superar divisões internas para apresentar um bloco competitivo, a direita busca consolidar sua posição com base em estratégias de continuidade e articulação antecipada.
O desfecho do impasse dependerá não apenas da decisão judicial, mas também da capacidade dos grupos políticos de ampliar apoios e transformar negociações em votos dentro da Assembleia.


