A Fifa voltou ao centro das discussões sobre a arbitragem da Copa do Mundo de 2026 ao confirmar o americano Ismail Elfath como árbitro da semifinal entre Inglaterra e Argentina, marcada para esta quarta-feira.
A escolha ocorre em meio às acusações de favorecimento à equipe de Lionel Messi que acompanham a campanha argentina desde as oitavas de final.
Elfath tem um histórico que chama atenção. Desde que Messi chegou ao Inter Miami, em 2023, apitou quatro partidas do craque argentino. O resultado foi perfeito para o camisa 10: quatro vitórias, quatro gols marcados e nenhum tropeço.
A primeira delas foi justamente a decisão da Leagues Cup contra o Nashville, vencida pelo Inter Miami nos pênaltis após empate por 1 a 1.
Ele também esteve presente na final da Copa do Mundo de 2022, entre Argentina e França, como quarto árbitro, reforçando a ligação frequente com jogos decisivos envolvendo Messi. Agora, será responsável por sua primeira semifinal de Mundial como árbitro principal.
A designação ocorre em um momento de enorme desconfiança sobre a arbitragem da competição. A Argentina chegou às semifinais após eliminações cercadas de polêmicas contra Egito e Suíça.
Nas oitavas de final, os egípcios reclamaram de um gol anulado pelo VAR, da não marcação de um pênalti sobre Mohamed Salah nos minutos finais e de uma série de decisões favoráveis aos argentinos. Revoltado, o técnico Hossam Hassan acusou a Fifa de manter Messi vivo na competição por “razões de marketing”.
“Pode ser uma questão de marketing. Eles querem uma Copa do Mundo com o campeão da última edição. Querem Messi no torneio”, afirmou após a eliminação.
A controvérsia prosseguiu nas quartas de final diante da Suíça. O zagueiro Breel Embolo foi expulso após revisão do VAR com base em uma nova regra sobre erro de identidade, enquanto os suíços reclamaram que praticamente todas as decisões importantes favoreceram a Argentina.
Após a derrota por 3 a 1, o capitão Manuel Akanji afirmou que “tudo era marcado contra nós” e disse nunca ter participado de uma partida tão desequilibrada pela arbitragem. O técnico Murat Yakin classificou a atuação dos árbitros como “incompreensível”.
O próprio Ismail Elfath também chega cercado por decisões controversas nesta Copa. No duelo entre Brasil e Noruega, válido pelas quartas de final, ele inicialmente ignorou um pênalti sobre Matheus Cunha e só mudou de ideia após ser chamado pelo VAR.
Bruno Guimarães desperdiçou a cobrança e o Brasil acabou eliminado por 2 a 1. Antes disso, na partida entre Espanha e Uruguai, o árbitro também foi alvo de fortes críticas da imprensa espanhola pela condução disciplinar do jogo.
Diante da sucessão de questionamentos, o chefe da arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, saiu em defesa dos juízes. Segundo ele, é “impossível” que os árbitros sejam influenciados por qualquer pessoa, incluindo o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e afirmou que acusações sem provas colocam em risco a integridade dos profissionais e de suas famílias.
Apesar da posição oficial da entidade, a escolha de Elfath aumenta a pressão sobre a arbitragem para o confronto entre Inglaterra e Argentina. Os ingleses chegam embalados após eliminar a Noruega por 2 a 1 na prorrogação, com dois gols de Jude Bellingham, enquanto a seleção de Messi tenta alcançar sua segunda final consecutiva de Copa do Mundo.




