Minas Gerais volta a ocupar posição estratégica na disputa pelo Palácio do Planalto em 2026. Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (22) aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança entre os eleitores mineiros no primeiro turno, enquanto uma eventual disputa direta contra Flávio Bolsonaro (PL) apresenta empate técnico, considerando a margem de erro do levantamento.
No principal cenário estimulado de primeiro turno, sem Pablo Marçal (PRTB), Lula aparece com 37% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. O governador Romeu Zema (Novo) registra 10%, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), ambos com 3%. Augusto Cury (Avante) aparece com 2%. Samara Martins (UP), Wilson Grassi (Democrata) e Rui Costa Pimenta (PCO) registram 1% cada. Brancos, nulos ou nenhum somam 7%, enquanto 5% dos entrevistados se declararam indecisos.
Segundo turno coloca Lula e Flávio em empate técnico
Quando o Datafolha simula um confronto direto entre os dois principais candidatos, a distância diminui. Lula registra 46%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 42%. Outros 10% dizem que votariam em branco, anulariam ou não escolheriam nenhum dos dois, e 2% permanecem indecisos.
Apesar da vantagem numérica de quatro pontos para Lula, o instituto classifica o cenário como empate técnico. A margem de erro em Minas Gerais é de três pontos percentuais para mais ou para menos, fazendo com que os intervalos possíveis dos dois candidatos se sobreponham. O resultado, portanto, não permite apontar estatisticamente um vencedor no confronto direto neste momento.
O cenário mineiro ganha ainda mais relevância pelo histórico das eleições presidenciais. Desde a retomada das eleições diretas para presidente, em 1989, o candidato que venceu em Minas Gerais no turno decisivo também conquistou a Presidência da República. A sequência passou por Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro e foi mantida novamente em 2022.
Na eleição de 2022, essa característica ficou especialmente evidente. Lula venceu Jair Bolsonaro em Minas por uma diferença de aproximadamente 0,4 ponto percentual, alcançando cerca de 50,2% dos votos válidos no estado. Nacionalmente, o petista também venceu por margem estreita. A diversidade econômica, social e regional de Minas, além do tamanho de seu eleitorado, ajuda a explicar por que o estado é frequentemente tratado como um dos principais “termômetros” da eleição presidencial brasileira.
Cenário com Pablo Marçal
O Datafolha também testou uma configuração com Pablo Marçal (PRTB), cuja situação eleitoral permanece submetida à Justiça Eleitoral. Nesse cenário, Lula aparece com 36%, Flávio Bolsonaro mantém 31%, Zema registra 8% e Marçal alcança 4%. Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 3% cada, enquanto Augusto Cury tem 2%.
A comparação mostra alteração limitada entre os dois primeiros colocados: Lula recua um ponto percentual em relação ao cenário sem Marçal, enquanto Flávio permanece com os mesmos 31%. Os números representam um retrato do eleitorado no período em que as entrevistas foram realizadas e podem sofrer alterações ao longo da campanha.
A disputa por Minas também já aparece nas agendas eleitorais. Lula participou de atividades políticas recentes em Belo Horizonte, enquanto Flávio Bolsonaro realizou compromissos no estado durante os primeiros dias de campanha. O peso do eleitorado mineiro e o histórico de resultados apertados tornam o estado uma área estratégica para as candidaturas que buscam chegar ao segundo turno e ampliar suas bases nacionais.
O Datafolha ouviu 1.204 eleitores mineiros com 16 anos ou mais entre 18 e 20 de agosto de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números MG-00446/2026 e BR-04396/2026.




