A CPI investiga filho de secretário de Campos após a convocação do empresário Yan Felix Hirano, aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito que apura a atuação do crime organizado no país. O caso ganhou repercussão nacional por envolver o filho do atual secretário municipal de Saúde, Paulo Hirano, figura conhecida na política de Campos dos Goytacazes.
O requerimento foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira, relator da CPI, e aponta que o empresário teria atuado como intermediário em operações financeiras sob suspeita. Segundo informações divulgadas, a investigação busca esclarecer se houve facilitação na inserção de recursos de origem ilícita no sistema financeiro formal.
Ligações investigadas e contratos imobiliários
De acordo com apuração divulgada pelo jornal Valor Econômico, um dos pontos centrais da investigação envolve a negociação de dois imóveis localizados em Queimados. Nos contratos analisados, Yan Felix Hirano aparece como vendedor ao lado do cidadão espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin.
O estrangeiro possui condenações por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, além de ter sido alvo da Operação Brabo, conduzida pela Polícia Federal. A presença simultânea dos dois nomes nos documentos chamou a atenção das autoridades e ampliou o alcance das investigações.
As apurações indicam que essas transações podem estar relacionadas a uma estrutura mais ampla de movimentação financeira, ainda sob análise da CPI.
Estrutura financeira e relação com o Banco Master
Outro eixo da investigação envolve a possível utilização de fundos de investimento para viabilizar operações financeiras complexas. Segundo as informações reunidas, recursos teriam sido direcionados por meio de estruturas reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários.
Entre os fundos citados estão o Aquilla FII e o Fundo São Domingos, que teriam participado de operações relacionadas à aquisição do antigo Banco Máxima, posteriormente transformado no Banco Master.
A CPI investiga se imóveis localizados na Baixada Fluminense foram incorporados a esses fundos com valores supostamente superiores aos de mercado, o que poderia, em tese, influenciar a composição patrimonial apresentada no processo de aquisição da instituição financeira.
O empresário Daniel Vorcaro também é citado nas investigações. Até o momento, conforme informado, sua defesa não comentou o requerimento apresentado no âmbito da comissão.
Conexões empresariais e desdobramentos políticos
As investigações também apontam para relações empresariais de Yan Felix Hirano com nomes já conhecidos no cenário político fluminense. Entre eles está Felipe Picciani, filho do ex-presidente da Alerj, Jorge Picciani.
De acordo com registros, essas conexões levantaram questionamentos sobre a rede de relações empresariais e financeiras envolvendo figuras públicas e privadas no estado do Rio de Janeiro.
Outro nome mencionado nas investigações é Benjamin Botelho de Almeida, apontado por autoridades como possível operador financeiro em estruturas ligadas ao caso. A defesa do empresário afirma que ele foi absolvido em processos anteriores na Justiça Federal.
O caso também alcançou instâncias superiores após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que concedeu habeas corpus ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tornando facultativa sua participação em depoimento na CPI.
Enquanto isso, empresas citadas no processo, como a Sefer Investimentos, informaram por meio de nota que não possuem relação com recursos ilícitos e que não mantêm vínculo com os fundos investigados desde 2022.
A convocação de Yan Felix Hirano coloca o caso sob atenção nacional e amplia o debate sobre possíveis conexões entre operações financeiras, estruturas empresariais e investigações sobre crime organizado no país. Em Campos dos Goytacazes, o tema repercute no cenário político local, especialmente pela relação familiar com um integrante do alto escalão da administração municipal.
A Comissão Parlamentar de Inquérito segue ouvindo os envolvidos e analisando documentos para esclarecer os fatos, enquanto autoridades acompanham os desdobramentos que podem impactar tanto o sistema financeiro quanto o ambiente político regional.
Fonte: Metrópoles





