O empresário Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, apresentou ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) anexos de uma proposta de delação premiada, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (10). A iniciativa está relacionada a um suposto esquema bilionário de corrupção, investigado no âmbito da operação Carbono Oculto.
De acordo com apuração, o empresário afirma que pretende detalhar um sistema que envolveria fraudes fiscais, sonegação de impostos e lavagem de dinheiro. Os documentos entregues ao MP-SP incluem informações que, segundo sua defesa, podem contribuir para o avanço das investigações.
Delação promete revelar estrutura complexa
Segundo os materiais apresentados, Beto Louco teria reunido evidências que apontam para a possível participação de agentes públicos e até integrantes do sistema judiciário no esquema investigado. No entanto, até o momento, não há confirmação oficial sobre o envolvimento dessas pessoas, e os nomes citados seguem sob análise das autoridades.
Entre os itens entregues estão dezenas de aparelhos celulares utilizados ao longo do período investigado, que, conforme a defesa, conteriam registros relevantes sobre a dinâmica das operações financeiras suspeitas.
A proposta de delação premiada é considerada uma etapa inicial do processo e ainda depende de validação por parte do Ministério Público. Esse tipo de acordo prevê colaboração com as investigações em troca de possíveis benefícios legais, desde que as informações sejam comprovadas.
Operação Carbono Oculto e os setores investigados
A operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025, investiga a infiltração de organizações criminosas em setores da economia formal. Entre os segmentos citados estão postos de combustíveis, padarias e fintechs, apontados como possíveis canais para movimentações financeiras ilícitas.
As investigações apontam para um esquema sofisticado, com ramificações em diferentes áreas econômicas, o que tem exigido atuação integrada de órgãos de controle e fiscalização. A suspeita é de que empresas legalmente constituídas tenham sido utilizadas para ocultar a origem de recursos.
O caso ganhou repercussão devido à complexidade das operações e ao volume financeiro envolvido, considerado elevado pelas autoridades responsáveis pela apuração.
Tentativa anterior e andamento do acordo
Em 2025, uma tentativa anterior de delação apresentada pelo empresário foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na ocasião, ele chegou a mencionar nomes de figuras públicas, mas as acusações não foram confirmadas e foram negadas pelos citados.
Desta vez, a nova proposta não envolve autoridades com foro privilegiado em Brasília, o que mantém a condução do caso no âmbito estadual. Ainda segundo informações, o empresário também teria aceitado a possibilidade de ressarcimento milionário aos cofres públicos, condição comum em acordos dessa natureza.
Atualmente, Beto Louco é considerado foragido e passou as últimas semanas em tratativas com seus advogados para estruturar os documentos entregues ao Ministério Público. A decisão sobre a aceitação ou não da delação caberá ao procurador-geral de Justiça de São Paulo.
Enquanto isso, as investigações seguem em andamento, com análise do material apresentado e verificação da consistência das informações fornecidas pelo empresário.


