A crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso em Brasília, passou a provocar forte repercussão política e econômica nos bastidores de Brasília e do mercado financeiro. Segundo informações divulgadas pelo Correio Braziliense, o desgaste aumentou após a divulgação de um áudio em que o parlamentar pede recursos ao empresário para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com interlocutores ouvidos pela publicação, setores do mercado já demonstram forte desconfiança em relação à viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro para a disputa presidencial. Nos bastidores, fontes ligadas ao setor financeiro afirmaram que a pré-candidatura do senador teria sofrido um duro impacto político após a associação pública com Vorcaro.
A repercussão também alcançou os indicadores econômicos. O dólar registrou alta de 1,60%, voltando ao patamar de R$ 5, enquanto a Bolsa encerrou a semana em queda de 0,60%, fechando na faixa dos 177 mil pontos.
O episódio também provocou tensão entre lideranças conservadoras e integrantes do Centrão. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que vinha sendo citado como possível vice em uma eventual chapa presidencial liderada por Flávio Bolsonaro, criticou publicamente a situação.
Segundo declarações divulgadas pela imprensa nacional, Zema classificou a conduta do senador como “imperdoável” e afirmou que o episódio representou “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.
A fala provocou desconforto dentro do PL e ampliou o atrito político entre aliados da direita. Posteriormente, o governador mineiro recuou parcialmente da declaração e afirmou considerar o caso uma “página virada”, embora não tenha apresentado pedido público de desculpas.
Em resposta, Flávio Bolsonaro afirmou que a presença de Zema em uma possível composição eleitoral teria se tornado “inviável”.
Tarcísio evita agenda ao lado de Flávio
O desgaste político também atingiu o entorno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Durante evento realizado em Sorocaba, no interior paulista, Flávio Bolsonaro chamou Tarcísio de “meu amigo”, mas o governador não compareceu ao encontro.
Segundo a assessoria de Tarcísio, a ausência ocorreu devido a uma gripe. O evento marcou o lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado.
Nos bastidores, aliados interpretaram a ausência como um movimento para evitar associação direta ao desgaste envolvendo o senador e o caso Daniel Vorcaro.
Aliados de Flávio Bolsonaro também demonstram preocupação com possíveis novos desdobramentos da investigação envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao Banco Master.
Segundo apuração divulgada pelo Correio Braziliense, a apreensão aumentou após uma fase da Operação Compliance Zero atingir o pai do banqueiro. Integrantes da direita passaram a avaliar reservadamente que o caso ainda pode avançar sobre figuras próximas ao entorno político e financeiro do senador.
Um dirigente do Centrão ouvido sob reserva classificou o cenário como de “alerta máximo” dentro das articulações políticas para 2026.
Michelle Bolsonaro passa a ser citada como alternativa
Nos bastidores do PL e de setores da direita, o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a ganhar força como possível alternativa eleitoral caso o desgaste de Flávio Bolsonaro aumente até o período das convenções partidárias.
Segundo interlocutores ouvidos pela imprensa, Michelle é vista por aliados como uma liderança capaz de preservar o capital político da família Bolsonaro em meio ao atual cenário de desgaste.
A hipótese também aparece ligada à tentativa de ampliar o alcance eleitoral junto ao público feminino e religioso. A deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), ligada a lideranças católicas, chegou a se reunir com Flávio Bolsonaro nos últimos dias.
De acordo com fontes próximas à ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro seria atualmente o nome da família com melhores condições políticas para assumir protagonismo caso o senador chegue enfraquecido ao início formal da campanha presidencial.
O avanço da crise passou a ser acompanhado de perto tanto por agentes políticos quanto pelo mercado financeiro. Segundo analistas ouvidos por veículos nacionais, episódios envolvendo instabilidade política costumam gerar impacto imediato sobre dólar, Bolsa e expectativas econômicas.
Enquanto isso, integrantes da direita seguem monitorando pesquisas internas e possíveis desdobramentos das investigações para definir os próximos passos da articulação eleitoral para 2026.

