Chernobyl 40 anos depois: ruínas de Pripyat ainda chocam o mundo

Expresso Rio
O reator número 4 danificado de Chernobyl – Foto: SHONE/GAMMA/Gamma-Rapho via Getty Images

Quarenta anos após a explosão do reator número 4 da usina nuclear de Chernobyl, a antiga cidade de Pripyat, na Ucrânia, continua sendo um dos maiores símbolos de tragédia e abandono do mundo moderno. O local, que antes representava o avanço tecnológico e o orgulho soviético, hoje permanece marcado por prédios vazios, janelas quebradas e objetos deixados para trás às pressas por milhares de moradores.

As imagens que ainda circulam do local impressionam pela força simbólica: brinquedos espalhados, móveis abandonados, eletrodomésticos enferrujados e escolas vazias congeladas no tempo. A vegetação avançou sobre ruas, calçadas e edifícios, transformando a antiga cidade em um cenário desolador.

Pripyat foi evacuada logo após o desastre nuclear ocorrido em 1986. Cerca de 50 mil pessoas tiveram de deixar suas casas, muitas delas acreditando que retornariam em poucos dias. No entanto, a saída se tornou definitiva.

O ex-morador Volodimir Vorobei relembrou o momento em que deixou a cidade com a família, ainda sem compreender a dimensão do acidente.

“Naquela época não refletimos sobre isso e não sabíamos quais seriam as consequências do acidente nem que nunca mais voltaríamos para casa”, afirmou.

Desde então, ele relata que nunca mais reencontrou seus antigos vizinhos, um reflexo do impacto humano provocado pela tragédia nuclear.

Além das marcas deixadas nas estruturas urbanas, o acidente de Chernobyl segue tendo impacto direto na região. Os trabalhos de desativação da usina ainda continuam, mesmo quatro décadas depois. O antigo “sarcófago” de concreto construído para conter a radiação do reator 4 foi substituído por uma nova estrutura de confinamento, desenvolvida para ampliar a segurança na área.

Apesar dos avanços na contenção, a radiação ainda está presente em partes da zona de exclusão, considerada uma das áreas mais perigosas do planeta. Algumas regiões seguem inacessíveis devido ao alto nível de contaminação.

O que antes era visto como um símbolo do otimismo soviético e do progresso industrial hoje é lembrado como um marco histórico de devastação. A tragédia de Chernobyl continua influenciando debates globais sobre energia nuclear, segurança ambiental e memória histórica.

Quarenta anos depois, Pripyat permanece como uma cidade fantasma, preservando nas ruínas as marcas de um dos episódios mais impactantes do século XX.

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