A possível delação premiada do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, passou a preocupar diretamente o banqueiro Daniel Vorcaro e pode alterar o rumo das investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
Preso na última semana, Costa ainda não formalizou um acordo, mas já reorganizou sua defesa com foco em negociar a colaboração. Ele está detido no Complexo Penitenciário da Papuda, e sua nova equipe jurídica passou a ser liderada pelos advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino, que já atuaram em negociações envolvendo executivos das Lojas Americanas.
Segundo investigadores, a delação de Costa pode avançar com mais rapidez do que a de Vorcaro. Isso ocorre porque o escopo de informações atribuídas ao ex-presidente do BRB é considerado mais restrito, o que facilitaria a negociação e aumentaria a possibilidade de apresentação de dados inéditos relevantes para o caso.
Outro fator que pesa na avaliação das autoridades é o impacto público. Um acordo com Costa teria menor desgaste político e simbólico do que uma eventual colaboração de Vorcaro, apontado como peça central no esquema envolvendo o Banco Master.
Caso a delação de Costa seja formalizada antes, a colaboração de Vorcaro relacionada ao BRB tende a perder força. Isso pode endurecer as exigências feitas pelos investigadores para aceitar qualquer proposta do banqueiro.
Vorcaro está preso desde 4 de março e passou a estruturar uma possível delação após ser transferido, no dia 19 do mesmo mês, de uma penitenciária federal de segurança máxima para a carceragem da Polícia Federal em Brasília. Até o momento, no entanto, não apresentou formalmente nenhum acordo.
Nos bastidores, há desconfiança quanto à efetividade de uma eventual colaboração do banqueiro. Investigadores já indicaram à defesa que ele precisará apresentar novos elementos de prova, além dos dados já extraídos de seu celular. Também pesam fatores como o tamanho da pena a ser negociada e os valores que poderiam ser exigidos como devolução aos cofres públicos.
Paulo Henrique Costa foi preso sob suspeita de ter recebido R$ 146 milhões em imóveis como propina para favorecer interesses de Vorcaro dentro do BRB. As investigações apontam que ele teria autorizado a compra de carteiras de crédito sem respeitar critérios técnicos.
Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que Costa orientava subordinados a viabilizar aportes de fundos ligados ao Banco Master no banco público. Em depoimento, porém, ele negou irregularidades e afirmou que as operações seguiram parâmetros técnicos.
O avanço ou não da delação no BRB deve definir os próximos passos da investigação e pode redesenhar o peso das responsabilidades atribuídas aos envolvidos.



