A proximidade do término do período de prisão domiciliar temporária concedida ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem causado inquietude entre os funcionários do sistema prisional do Distrito Federal. O prazo de 90 dias estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está prestes a expirar, o que gera preocupações sobre o futuro do ex-presidente após essa data.
Nos bastidores, os servidores da administração penitenciária vêm discutindo os possíveis efeitos de uma eventual volta de Bolsonaro ao Complexo Penitenciário da Papuda. A principal preocupação gira em torno da segurança, logística e necessidade de protocolos especiais para garantir a ordem no local.
Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não indicou qual será o destino de Bolsonaro após o término do prazo da medida humanitária. Essa incerteza tem levado a uma série de discussões internas no sistema prisional sobre como lidar com a possível volta do ex-presidente.
A avaliação interna no sistema prisional é de que, caso Bolsonaro retorne à Papuda, será necessária uma operação de segurança reforçada, envolvendo a mobilização de forças policiais e controle de acesso na região do presídio. Além disso, há a preocupação com o impacto externo, incluindo a presença de apoiadores e da imprensa, o que poderia repetitionar cenários já observados em momentos anteriores envolvendo o ex-presidente no sistema prisional.
Em janeiro, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado a ida de Bolsonaro ao 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, no Complexo da Papuda, como parte da execução de pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. No entanto, em março, o ministro autorizou a transferência para prisão domiciliar devido a um quadro de saúde considerado grave pela defesa, incluindo pneumonia bacteriana decorrente de broncoaspiração.
A decisão estabeleceu 90 dias de duração para a prisão domiciliar, além do uso de tornozeleira eletrônica e restrições como proibição de redes sociais, contato com investigados e visitas controladas. Agora, com o término desse prazo se aproximando, a expectativa é de que o STF avalie a possibilidade de manter ou alterar a medida.
Interlocutores do STF avaliam que o cenário mais provável é a manutenção da prisão domiciliar, considerando que os relatórios médicos apresentados pela defesa ainda sustentam a medida humanitária. No entanto, um novo fator entrou na análise: a apreensão de uma pistola registrada em nome de Bolsonaro durante uma blitz em Brasília, o que levou à abertura de investigação pela Polícia Civil do DF. Os resultados dessa investigação devem ser compartilhados com o STF, o que pode influenciar a decisão sobre o futuro do ex-presidente.
Fonte original: https://agendadopoder.com.br/proximidade-do-fim-da-prisao-domiciliar-de-bolsonaro-gera-apreensao-na-papuda/

